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Demora na dragagem do Tapajós acende alerta para escoamento de grãos

Impasse sobre dragagem no rio Tapajós, em pleno El Niño, ameaça o escoamento de até 5 milhões de toneladas de soja e milho pelo Arco Norte.

20 de agosto de 2026 4 min de leitura
Demora na dragagem do Tapajós acende alerta para escoamento de grãos

A indefinição sobre a dragagem do rio Tapajós, em meio à previsão de seca mais intensa ligada ao El Niño, coloca em risco o escoamento de milhões de toneladas de soja e milho pelo Arco Norte. Operadores portuários e empresas de infraestrutura alertam que a falta de obras pode interromper a navegação em pontos críticos da hidrovia, elevar custos logísticos e pressionar a competitividade do produtor brasileiro.

O que aconteceu

Associações do setor de infraestrutura e terminais portuários cobraram do governo federal autorização para dragagens de manutenção e intervenções em sete trechos críticos entre Itaituba e Santarém, no Pará. A estimativa é que, sem remoção de sedimentos, comboios de barcaças tenham restrição de profundidade e capacidade de carga justamente na janela de maior escoamento da segunda safra de milho.

A MoveInfra projeta que entre 3 milhões e 5 milhões de toneladas de cargas, majoritariamente grãos de Mato Grosso, podem ser afetadas se o nível do rio cair durante a estiagem sem que a hidrovia esteja preparada[1]. O Ministério de Portos e Aeroportos confirmou que, por ora, não haverá dragagem no trecho principal da hidrovia, apesar do risco de seca extrema apontado por previsões climáticas[4].

O impasse envolve decisões técnicas e políticas. A dragagem de manutenção, sob responsabilidade do DNIT, foi travada por questionamentos no TCU. Já as obras emergenciais dependem de aval do Executivo, em ambiente marcado por debates sobre licenciamento ambiental e impactos em comunidades indígenas e ribeirinhas[9][10].

Por que importa para o agro

O Tapajós é hoje uma das principais rotas de saída da produção de soja e milho de Mato Grosso para os portos do Arco Norte. De acordo com dados oficiais, granéis sólidos responderam por quase 90% da movimentação da hidrovia em 2025, com destaque para esses dois grãos[13]. Qualquer limitação de calado ou interrupção de tráfego obriga desvio de cargas para rotas rodoviárias mais longas e caras.

Com menor navegabilidade, o custo do frete pode subir entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada, gerando impactos estimados de R$ 510 milhões a R$ 850 milhões na cadeia do agronegócio[1][5]. Esse aumento corrói margens do produtor, pesa na indústria de esmagamento e pode reduzir a competitividade do Brasil frente a concorrentes como Estados Unidos e Argentina, especialmente em milho de segunda safra.

Dados e contexto

IndicadorSituação no Tapajós
Carga em risco**3 a 5 milhões t** de grãos (soja e milho)[1][4]
Impacto econômico estimado**R$ 510 milhões a R$ 850 milhões**[1][5]
Aumento de frete**R$ 150 a R$ 250/t**[5]
Participação de soja e milho**88,4%** da movimentação da hidrovia em 2025[13]

Nos últimos anos, estiagens na Amazônia já reduziram níveis de rios como Madeira e Tapajós, obrigando barcaças a navegar com apenas 50% a 70% da capacidade e, em alguns momentos, suspendendo totalmente o transporte[3][15]. Em 2023 e 2024, secas fortes provocaram atrasos e restrições, cenário que o setor teme ver repetido sob um El Niño mais intenso[3][14].

Os gargalos logísticos no Norte ocorrem justamente quando o Brasil consolida o Arco Norte como rota estratégica para aliviar a pressão sobre portos do Sudeste e Sul e reduzir distâncias até os mercados da Europa e Ásia. Embrapa e Conab vêm apontando que a expansão da fronteira agrícola na região Centro-Oeste depende de infraestrutura estável para garantir fluxo competitivo de grãos.

O que observar daqui pra frente

Produtores, tradings e cooperativas devem acompanhar de perto três pontos: decisões do governo sobre dragagem emergencial, evolução do nível do rio durante a estiagem e eventuais redirecionamentos de cargas para rodovias e outros portos. A combinação de El Niño, obras atrasadas e disputa regulatória pode gerar custos extras, mudanças de rota de última hora e necessidade de renegociação de fretes, afetando planejamento de safra, comercialização e fluxo de caixa das propriedades.

Fontes

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