Sustentabilidade

Seca reduz nível do Rio Branco e ameaça lavouras em Roraima

Rio Branco está abaixo de 80 centímetros, e estiagem pode reduzir pela metade a safra de soja em Roraima em 2026.

08 de outubro de 2026 3 min de leitura
Seca reduz nível do Rio Branco e ameaça lavouras em Roraima

A estiagem prolongada reduziu o nível do Rio Branco para menos de 80 centímetros em Boa Vista e já compromete plantações em diferentes regiões de Roraima. O volume está mais de um metro abaixo do registrado no mesmo período de 2025. A falta de água afeta grandes produtores, agricultores familiares e comunidades que dependem dos rios.

O que aconteceu

O Rio Branco é o principal indicador da seca no estado. Em Boa Vista, a medição chegou a cerca de 80 centímetros no início de outubro. Em Caracaraí, no sul de Roraima, o nível ficou em aproximadamente 1,34 metro. Os dados refletem a redução das chuvas e a menor disponibilidade de água na bacia.

A estiagem atingiu lavouras e criações. A irregularidade das chuvas prejudicou o desenvolvimento do milho, especialmente durante fases reprodutivas. Também houve perdas em plantações e animais, além de dificuldades para o abastecimento de comunidades rurais.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Roraima estima perda de 50% da safra atual de grãos. Para a soja, a projeção indica redução pela metade em 2026, com prejuízo estimado em R$ 2 bilhões.

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Por que importa para o agro

A menor oferta de água reduz a capacidade de irrigação e aumenta o risco de perda em áreas cultivadas. Pequenos produtores, que dependem de rios, igarapés e fontes superficiais, enfrentam maior exposição porque têm menos acesso a reservatórios, bombeamento e alternativas de abastecimento.

Para a cadeia de grãos, a quebra da produção pode afetar renda, transporte, compra de insumos e disponibilidade regional. A queda dos rios também prejudica a navegação, elevando a dificuldade de deslocamento de produtos e equipamentos em comunidades ribeirinhas.

Dados e contexto

  • Rio Branco em Boa Vista: abaixo de 80 centímetros no início de outubro de 2026.
  • Rio Branco em Caracaraí: cerca de 1,34 metro no mesmo período.
  • Safra de grãos: estimativa de perda de 50% pela Aprosoja Roraima.
  • Soja: projeção de queda pela metade e prejuízo estimado em R$ 2 bilhões.
  • Milho: o Cemaden apontou impacto da irregularidade das chuvas sobre o potencial produtivo da terceira safra.
O Serviço Geológico do Brasil informou que os níveis da bacia do Rio Branco estavam abaixo da média e das mínimas históricas para a época, após chuvas abaixo do normal em julho e agosto. O Cemaden também identificou risco relevante para a agricultura familiar em Roraima.

Em setembro, o governo estadual decretou situação de emergência por causa da estiagem. A redução dos mananciais passou a pressionar o abastecimento urbano e rural, além de aumentar a necessidade de poços e carros-pipa.

O que observar daqui pra frente

A recuperação dependerá do retorno regular das chuvas e da recomposição dos rios, que pode ocorrer de forma lenta. Produtores devem acompanhar boletins do Cemaden, do Serviço Geológico do Brasil e dos órgãos estaduais, revisar o calendário de plantio, priorizar áreas com maior segurança hídrica e reforçar a reserva de água para consumo e produção.

Fontes

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