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Setor agro reage a veto de Lula e cobra Bolsa Família para safristas

Entidades do agro pressionam o governo após veto de Lula a benefício do Bolsa Família para trabalhadores safristas, acendendo alerta para regiões rurais dependentes da colheita.

12 de junho de 2026 4 min de leitura
Setor agro reage a veto de Lula e cobra Bolsa Família para safristas

O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao trecho que incluía trabalhadores safristas entre os beneficiários do Bolsa Família gerou reação imediata de lideranças do agro. Entidades do setor afirmam que o corte atinge em cheio regiões que dependem de mão de obra temporária na colheita e cobram uma solução rápida do governo e do Congresso.

O que aconteceu

O Congresso havia aprovado a inclusão dos safristas no Bolsa Família, medida voltada a trabalhadores rurais contratados apenas durante períodos de colheita, sem vínculo permanente. A proposta buscava garantir renda mínima para essas famílias nos meses em que não há trabalho e, portanto, não há salário.

Ao sancionar a lei, Lula vetou esse ponto, alegando impacto fiscal e riscos de distorção no desenho do programa social. A decisão foi mal recebida por parlamentares da bancada ruralista e por entidades do agro, que passaram a articular a derrubada do veto.

Líderes do setor argumentam que a mão de obra safrista é essencial em cadeias como frutas, hortaliças, café, cana-de-açúcar e grãos em regiões de forte sazonalidade. Sem proteção social, esses trabalhadores ficam mais expostos à pobreza no período de entressafra, o que também afeta a oferta de mão de obra em momentos críticos da produção.

Por que importa para o agro

Na prática, o veto cria um vácuo de proteção para um elo frágil da cadeia produtiva: o trabalhador temporário que garante a colheita em grandes e pequenas propriedades. Em muitas regiões, especialmente no interior do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, a renda da safra é a principal fonte de sustento de famílias inteiras.

Sem o apoio do Bolsa Família na entressafra, cresce o risco de migração, informalidade ainda maior e dificuldade de encontrar mão de obra em épocas de pico. Produtores já relatam que a competição com outros setores e programas sociais encarece e torna mais difícil a contratação para colheitas curtas, o que pode pressionar custos e comprometer qualidade.

Dados e contexto

O mercado de trabalho rural no Brasil é marcado pela alta sazonalidade. Segundo o IBGE, boa parte dos ocupados na agropecuária alterna períodos de emprego formal, informal e desemprego ao longo do ano, especialmente em culturas que dependem de colheita manual.

Programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, têm forte capilaridade no meio rural. Dados oficiais mostram que milhões de famílias beneficiárias vivem em municípios com forte peso do agro na economia local, combinando atividades agrícolas, bicos e programas sociais para compor renda.

Em cadeias como café, frutas e hortaliças, é comum que o mesmo trabalhador seja contratado por poucos meses em diferentes propriedades, sem acumular tempo suficiente de contribuição para acessar outros benefícios. É esse grupo que o agro diz querer proteger com a inclusão no Bolsa Família.

A pressão agora se concentra no Congresso, que tem poder de derrubar o veto em sessão conjunta. Se a derrubada avançar, o governo terá de encontrar espaço fiscal para acomodar o novo público no programa, o que abre debate sobre prioridades orçamentárias e o papel do agro nas políticas sociais.

O que observar daqui pra frente

Produtores e trabalhadores devem acompanhar a tramitação do veto no Congresso, pois a decisão final vai influenciar a dinâmica de contratação para as próximas safras. Entre os riscos estão aumento de custos trabalhistas, falta de mão de obra em períodos críticos e maior vulnerabilidade social em regiões rurais. Por outro lado, se a proteção aos safristas avançar, o agro pode ganhar em estabilidade de força de trabalho e previsibilidade na organização da colheita.

Fontes

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