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Shell confirma apoio ao plano de recuperação extrajudicial da Raízen

Shell apoia o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, que busca reorganizar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas e preservar operações de açúcar, etanol e combustíveis.

07 de junho de 2026 4 min de leitura
Shell confirma apoio ao plano de recuperação extrajudicial da Raízen

A Shell confirmou apoio ao plano de recuperação extrajudicial da Raízen, formalizado após a companhia protocolar a reestruturação de uma dívida financeira de cerca de R$ 65 bilhões com credores.[3][1] O movimento busca fortalecer a estrutura de capital da maior produtora de etanol do país e uma das principais distribuidoras de combustíveis, reduzindo o risco de ruptura na cadeia de açúcar, etanol e energia.[1][2]

O que aconteceu

A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, entrou com pedido de recuperação extrajudicial voltada apenas às dívidas financeiras, mantendo em dia pagamentos a fornecedores e parceiros operacionais.[1][3] O plano foi negociado previamente com parte relevante dos credores e agora segue para homologação judicial.

Segundo informações divulgadas ao mercado, a empresa incluiu no plano cerca de R$ 65 bilhões em dívidas concursais, dentro de um endividamento total próximo de R$ 75 bilhões.[1][2] A recuperação busca alongar prazos, converter parte da dívida em ações e reduzir pressão de caixa em um momento de safra de cana e forte necessidade de capital de giro.[1][2]

A proposta em discussão inclui um aporte de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell e até R$ 500 milhões por veículo ligado à Aguassanta Investimentos, do grupo Cosan, reforçando o compromisso dos controladores com a companhia.[1][2] O plano também prevê a futura cisão dos negócios em Raízen Energia e Raízen Combustíveis até o fim da reestruturação.[2][5]

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Por que importa para o agro

A Raízen é uma das maiores compradoras de cana-de-açúcar do país, relevante para milhares de produtores independentes em São Paulo, Minas Gerais e Centro-Sul. A manutenção da operação, com pagamentos a fornecedores preservados, reduz o risco de calotes na safra e de ruptura na coleta de cana nas regiões produtoras.[1]

No mercado de etanol e açúcar, a estabilidade financeira da companhia ajuda a evitar movimentos bruscos de oferta que poderiam pressionar preços nas usinas e nos postos. Uma reestruturação ordenada tende a manter a capacidade de moagem, produção de etanol anidro e hidratado, além da exportação de açúcar, o que influencia cotações internas e externas.

Dados e contexto

A Raízen se tornou um dos maiores grupos do agro e de energia do Brasil, com forte alavancagem financeira acumulada em anos de expansão, aquisições e investimentos em infraestrutura.[4] O plano de recuperação extrajudicial tenta equacionar esse quadro sem paralisar a operação.

Indicador chaveValor aproximado
Dívida total divulgada**R$ 75,35 bilhões**[2]
Dívida incluída na recuperação**R$ 65–65,4 bilhões**[1][2]
Aporte previsto da Shell**R$ 3,5 bilhões**[1][2]
Aporte potencial da Aguassanta/Cosan**R$ 500 milhões**[1][2]
Adesão inicial de credores ao plano**cerca de 75%**[5]

Segundo analistas de mercado, a proposta prevê conversão de parte da dívida em ações a R$ 0,25 por ação, o que pode levar os credores a deterem mais de 80% do capital ao fim da operação.[2] O desenho busca reduzir o peso da dívida no balanço e redistribuir o controle entre atuais acionistas e credores financeiros.

A Embrapa e a Conab não estão diretamente envolvidas no processo, mas os dados de produção indicam o peso da empresa na cadeia: o Brasil é líder global em etanol de cana e açúcar, com o Centro-Sul respondendo por mais de 85% da moagem nacional, ambiente em que a Raízen é um dos principais players.

O que observar daqui pra frente

Produtores, usinas parceiras e o mercado devem acompanhar a homologação judicial do plano, a entrada efetiva do capital novo da Shell e a evolução da cisão entre energia e combustíveis. A velocidade da reestruturação, a capacidade de a empresa manter contratos e investimentos e o comportamento dos preços de etanol e açúcar serão decisivos para medir riscos e oportunidades para toda a cadeia do agro ligada à cana.

Fontes

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