Shell confirma apoio ao plano de recuperação extrajudicial da Raízen
Shell apoia o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, que busca reorganizar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas e preservar operações de açúcar, etanol e combustíveis.

A Shell confirmou apoio ao plano de recuperação extrajudicial da Raízen, formalizado após a companhia protocolar a reestruturação de uma dívida financeira de cerca de R$ 65 bilhões com credores.[3][1] O movimento busca fortalecer a estrutura de capital da maior produtora de etanol do país e uma das principais distribuidoras de combustíveis, reduzindo o risco de ruptura na cadeia de açúcar, etanol e energia.[1][2]
O que aconteceu
A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, entrou com pedido de recuperação extrajudicial voltada apenas às dívidas financeiras, mantendo em dia pagamentos a fornecedores e parceiros operacionais.[1][3] O plano foi negociado previamente com parte relevante dos credores e agora segue para homologação judicial.
Segundo informações divulgadas ao mercado, a empresa incluiu no plano cerca de R$ 65 bilhões em dívidas concursais, dentro de um endividamento total próximo de R$ 75 bilhões.[1][2] A recuperação busca alongar prazos, converter parte da dívida em ações e reduzir pressão de caixa em um momento de safra de cana e forte necessidade de capital de giro.[1][2]
A proposta em discussão inclui um aporte de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell e até R$ 500 milhões por veículo ligado à Aguassanta Investimentos, do grupo Cosan, reforçando o compromisso dos controladores com a companhia.[1][2] O plano também prevê a futura cisão dos negócios em Raízen Energia e Raízen Combustíveis até o fim da reestruturação.[2][5]
Por que importa para o agro
A Raízen é uma das maiores compradoras de cana-de-açúcar do país, relevante para milhares de produtores independentes em São Paulo, Minas Gerais e Centro-Sul. A manutenção da operação, com pagamentos a fornecedores preservados, reduz o risco de calotes na safra e de ruptura na coleta de cana nas regiões produtoras.[1]
No mercado de etanol e açúcar, a estabilidade financeira da companhia ajuda a evitar movimentos bruscos de oferta que poderiam pressionar preços nas usinas e nos postos. Uma reestruturação ordenada tende a manter a capacidade de moagem, produção de etanol anidro e hidratado, além da exportação de açúcar, o que influencia cotações internas e externas.
Dados e contexto
A Raízen se tornou um dos maiores grupos do agro e de energia do Brasil, com forte alavancagem financeira acumulada em anos de expansão, aquisições e investimentos em infraestrutura.[4] O plano de recuperação extrajudicial tenta equacionar esse quadro sem paralisar a operação.
| Indicador chave | Valor aproximado |
|---|---|
| Dívida total divulgada | **R$ 75,35 bilhões**[2] |
| Dívida incluída na recuperação | **R$ 65–65,4 bilhões**[1][2] |
| Aporte previsto da Shell | **R$ 3,5 bilhões**[1][2] |
| Aporte potencial da Aguassanta/Cosan | **R$ 500 milhões**[1][2] |
| Adesão inicial de credores ao plano | **cerca de 75%**[5] |
Segundo analistas de mercado, a proposta prevê conversão de parte da dívida em ações a R$ 0,25 por ação, o que pode levar os credores a deterem mais de 80% do capital ao fim da operação.[2] O desenho busca reduzir o peso da dívida no balanço e redistribuir o controle entre atuais acionistas e credores financeiros.
A Embrapa e a Conab não estão diretamente envolvidas no processo, mas os dados de produção indicam o peso da empresa na cadeia: o Brasil é líder global em etanol de cana e açúcar, com o Centro-Sul respondendo por mais de 85% da moagem nacional, ambiente em que a Raízen é um dos principais players.
O que observar daqui pra frente
Produtores, usinas parceiras e o mercado devem acompanhar a homologação judicial do plano, a entrada efetiva do capital novo da Shell e a evolução da cisão entre energia e combustíveis. A velocidade da reestruturação, a capacidade de a empresa manter contratos e investimentos e o comportamento dos preços de etanol e açúcar serão decisivos para medir riscos e oportunidades para toda a cadeia do agro ligada à cana.
Fontes
- Shell apoia plano de recuperação extrajudicial da Raízen – Canal Rural
- Raízen entra com processo de recuperação extrajudicial – CNN Brasil
- Ação da Raízen despenca após empresa detalhar plano de recuperação – CNN Brasil
- Raízen protocola plano para reestruturar dívida de R$ 64,7 bilhões – Canal Rural
- Entenda como a Raízen acumulou R$ 65 bilhões em dívidas – Canal Rural
- canalrural.com.br
Continue lendo

EUA reduzem vendas semanais de milho da safra 2025/26 para 315 mil t
USDA aponta queda nas vendas externas de milho 2025/26 dos EUA para 315 mil toneladas em uma semana, sinalizando menor ritmo de demanda no curto prazo.

Cepea: suíno vivo integrado supera independente em julho
Em julho, remuneração do suíno vivo integrado ficou acima do mercado independente, segundo Cepea, acendendo alerta para produtores sobre margem e modelo de negócio.

Demanda aquecida mantém soja valorizada no Brasil e em Chicago
Procura forte e oferta limitada seguram preços da soja no Brasil, mesmo com dólar mais fraco, apoiados pela alta em Chicago e prêmios firmes.