Mercado

Sicredi amplia recursos do Plano Safra, mas encolhe linhas de investimento

Cooperativa aumenta em 20% o volume para o Plano Safra 2025/26, porém reduz operações de investimento, afetando projetos de longo prazo dos produtores.

02 de julho de 2026 4 min de leitura
Sicredi amplia recursos do Plano Safra, mas encolhe linhas de investimento

O Sicredi vai disponibilizar R$ 68 bilhões no Plano Safra 2025/26, alta de cerca de 10% sobre a safra anterior, consolidando a cooperativa como um dos principais financiadores privados do agro no país.[1] Ao mesmo tempo, a instituição reduz o número de operações voltadas à linha de investimentos, mudando o foco para custeio, comercialização e CPR, o que altera o acesso do produtor a crédito de longo prazo.

O que aconteceu

Para a safra 2025/26, o Sicredi prevê liberar R$ 24,3 bilhões para custeio, R$ 12,5 bilhões para investimentos e R$ 1,7 bilhão para comercialização e industrialização.[1] Além disso, a cooperativa estima mais R$ 24,6 bilhões em créditos via Cédula de Produto Rural (CPR), instrumento que vem ganhando peso na estratégia de financiamento da instituição.[1]

O volume total de R$ 68 bilhões representa aumento em relação aos R$ 61,9 bilhões liberados no ciclo anterior, em um número superior a 319 mil operações.[1] Apesar da alta geral, a cooperativa indica ajuste na quantidade de operações de investimento, priorizando operações de menor risco e maior giro, como custeio e linhas atreladas à exportação.

Na carteira agro consolidada da safra 2025/26, o Sicredi já alcançou R$ 52,8 bilhões, com crescimento de 16,5% em nove meses, impulsionado principalmente por linhas em dólar voltadas a produtores exportadores, que subiram cerca de 70%.[3] Esse movimento reforça o foco da instituição em operações mais alinhadas à renda em moeda estrangeira.

Por que importa para o agro

A combinação de mais recursos totais com menos operações de investimento tende a favorecer o capital de giro do produtor, mas pode dificultar projetos de modernização, armazenagem, irrigação e tecnologia, típicos das linhas de longo prazo. Quem precisa financiar estrutura e máquinas pode enfrentar seleção mais rigorosa e maior disputa pelos recursos de investimento.

Ao concentrar esforços em custeio, CPR e linhas em dólar, o Sicredi reforça o apoio a produtores com maior inserção comercial e capacidade de pagamento. Isso melhora a segurança da carteira e ajuda a conter inadimplência, porém pode restringir acesso ao crédito estruturante de pequenos e médios produtores, que dependem de investimento para ganhar produtividade e competitividade.

Dados e contexto

| Indicador | Safra 2024/25
Safra 2025/26 (previsto)
Crédito total Sicredi Plano Safra**R$ 61,9 bilhões**[1]**R$ 68 bilhões**[1]

| Custeio | n/d | R$ 24,3 bilhões[1] | | Investimentos | n/d | R$ 12,5 bilhões[1] | | Comercialização/industrialização | n/d | R$ 1,7 bilhão[1] | | CPR (crédito complementar) | n/d | R$ 24,6 bilhões[1] |

A cooperativa também concentra parte relevante dos recursos em programas oficiais: R$ 13,5 bilhões via Pronaf, para agricultura familiar, com aumento de 11% em relação à safra anterior, e R$ 16,7 bilhões via Pronamp, voltados ao médio produtor, alta de 21%.[1] Para os demais produtores, estão previstos R$ 13,2 bilhões, dos quais R$ 4,9 bilhões em operações de crédito em dólar, focadas em cadeias exportadoras.[1]

No agro brasileiro, o Plano Safra é o principal balizador de crédito rural, com recursos equalizados pelo governo e forte participação de bancos públicos e cooperativas financeiras.[8] Em paralelo, movimentos do Sicredi indicam maior uso de instrumentos de mercado, como CPR, e maior exposição a moedas fortes, acompanhando o crescimento da fatia exportadora do agronegócio.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar de perto a disponibilidade real de linhas de investimento nas cooperativas locais e planejar projetos de médio e longo prazo com antecedência, buscando encaixe em Pronaf, Pronamp ou em operações coletivas com melhor limite.[1][2] A maior ênfase em custeio, CPR e crédito em dólar abre espaço para quem está mais integrado à exportação, mas exige atenção a risco cambial e à seleção de investimentos que, mesmo com menos operações, tragam ganho efetivo de produtividade.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo