Soja e milho recuam em Chicago com pressão da colheita nos EUA
Soja e milho caíram em Chicago, pressionados pela colheita norte-americana e pelo ritmo mais fraco das exportações de milho.

As cotações de soja e milho caíram na Bolsa de Chicago ao longo da última semana. A soja perdeu quase 3%, enquanto o milho foi pressionado pelo ritmo menor dos embarques norte-americanos. O mercado agora acompanha a demanda chinesa, o câmbio e o avanço da safra brasileira.
O que aconteceu
A soja encerrou a terça-feira, 3 de novembro, cotada a US$ 12,03 por bushel, segundo análise de Henrique Lupo, da Datagro. O resultado representou queda próxima de 3% em relação à semana anterior.
O avanço da colheita nos Estados Unidos aumentou a oferta disponível e manteve o viés negativo para os preços. Até o período analisado, os trabalhos alcançaram 88% da área cultivada no país. Na sessão seguinte, porém, os contratos começaram a apresentar sinais de recuperação.
A demanda internacional, principalmente da China, limitou parte das perdas. O país asiático continua sendo o principal comprador global de soja, o que mantém seus negócios no centro das atenções dos operadores.
No milho, os Estados Unidos embarcaram cerca de 1,3 milhão de toneladas na última semana. O volume caiu 15% em relação ao período anterior, enquanto os compromissos acumulados de exportação ficaram 34% abaixo do mesmo intervalo do ano passado.
Por que importa para o agro
A queda em Chicago reduz a referência internacional para a formação dos preços no Brasil. O impacto sobre o produtor depende também do dólar, dos prêmios nos portos e das condições de comercialização em cada região.
Para a soja, a demanda chinesa pode oferecer sustentação caso os embarques avancem. No milho, o menor desempenho exportador dos Estados Unidos aumenta a disputa por mercados, mas também exige atenção à competição com o produto brasileiro.
Em Campinas, o milho foi negociado ao redor de R$ 65 por saca, indicando recuperação em algumas praças brasileiras. Esse movimento pode perder força se a oferta aumentar ou se o câmbio reduzir a paridade de exportação.
Dados e contexto
| Indicador | Dado informado |
|---|---|
| Soja em Chicago | US$ 12,03 por bushel |
| Variação semanal da soja | Queda de quase 3% |
| Colheita de soja nos EUA | 88% da área cultivada |
| Embarques semanais de milho dos EUA | 1,3 milhão de toneladas |
| Variação dos embarques de milho | Queda de 15% |
| Compromissos de milho no ano | 34% abaixo do ano anterior |
| Milho em Campinas | Cerca de R$ 65 por saca |
| Plantio do milho de verão no centro-sul | 57,9% do planejado |
No Brasil, o plantio do milho de verão no Centro-Sul atingiu 57,9% do total planejado, conforme a Datagro. O ritmo da semeadura e o clima das próximas semanas serão determinantes para as expectativas de produtividade e oferta.
O que observar daqui pra frente
O mercado deve reagir às novas informações sobre o câmbio, a demanda da China, o clima na América do Sul e o ritmo das exportações brasileiras de milho. Produtores precisam comparar os preços físicos com os custos de armazenagem e acompanhar os prêmios de exportação antes de definir novas vendas. A recuperação observada em Chicago pode ser pontual se a oferta norte-americana continuar pressionando os contratos.
Fontes
Continue lendo
Arroba do boi mantém firmeza, mas altas perdem força
Oferta restrita sustenta a arroba do boi gordo, enquanto negociações mais lentas indicam perda de ritmo nas altas em algumas regiões.
Chuvas reduzem produção de etanol e açúcar em setembro
Excesso de chuva atrasou o processamento da cana e contribuiu para a queda da produção industrial brasileira em setembro, segundo o IBGE.

Lucro da Nutrien cai 39% no terceiro trimestre de 2026
Nutrien lucra US$ 288 milhões no terceiro trimestre, pressionada pelo desempenho das divisões de fosfato e nitrogênio.