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Soja tem pregão travado e Chicago em queda na véspera de feriado

Mercado físico de soja fica praticamente parado no Brasil, com queda em Chicago e prêmios negativos pressionando as cotações internas.

03 de junho de 2026 4 min de leitura
Soja tem pregão travado e Chicago em queda na véspera de feriado

O mercado brasileiro de soja teve um dia praticamente parado na véspera de feriado, com poucas indústrias e tradings atuando e o produtor focado no plantio da nova safra.[1] Ao mesmo tempo, os futuros em Chicago recuaram, pressionados por realização de lucros e pelo desempenho do óleo de soja, o que somado a prêmios negativos reduziu as referências no físico.[1]

O que aconteceu

No mercado interno, a comercialização foi mínima. Consultorias relataram grande parte das tradings e cooperativas fora das compras, enquanto produtores priorizaram o avanço do plantio em meio a janelas apertadas e chuvas irregulares em áreas do Centro-Oeste.[1] Com pouca liquidez, negócios pontuais ocorreram apenas quando compradores aceitaram ajustes de preço próximos às referências do dia anterior.

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos de soja encerraram em baixa, liderados pelo recuo do óleo de soja e por movimento técnico de realização de lucros após sessões anteriores de alta.[1] A pressão também veio do acompanhamento das compras chinesas e do cenário macroeconômico global, que segue influenciando o apetite por risco em commodities agrícolas.[1]

Os prêmios de exportação permaneceram negativos em vários portos brasileiros, reforçando o desinteresse comprador no curto prazo.[1] Com isso, mesmo com o dólar em leve alta frente ao real, o suporte cambial não foi suficiente para animar as negociações no mercado físico.

Por que importa para o agro

Para o produtor, um dia travado como este indica que o mercado segue sem disposição para pagar valores muito acima das indicações de exportação, especialmente com prêmios negativos e pressão de safra grande no Brasil.[1] Em ambiente de custos ainda elevados, a combinação de Chicago em queda e prêmios fracos limita janelas atrativas de fixação.

Para a cadeia, a baixa liquidez sinaliza que a formação de preço no curto prazo continuará muito sensível a movimentos em Chicago e no câmbio. Indústrias e exportadores tendem a atuar de forma seletiva, priorizando originação em momentos de maior necessidade logística ou de oportunidade nos prêmios.

Dados e contexto

Na CBOT, os principais contratos de soja encerraram o dia em baixa, refletindo ajuste técnico e pressão dos derivados:[1]

Ativo / VencimentoFechamentoVariação
Soja em grão jan**US$ 11,36 1/4/bushel**-17,25 c/bu (**-1,49%**)[1]
Soja em grão mar**US$ 11,44 1/2/bushel**-15,75 c/bu (**-1,35%**)[1]
Farelo jan**US$ 318,90/t**-US$ 8,10 (**-2,47%**)[1]
Óleo jan**51,10 c/lb**-1,07 c/lb (**-2,05%**)[1]

No Brasil, o dia foi marcado por recuos pontuais ou estabilidade nas principais praças de comercialização:[1]

  • Passo Fundo (RS): de R$ 136,00 para R$ 135,00/saca[1]
  • Santa Rosa (RS): de R$ 137,00 para R$ 136,00/saca[1]
  • Cascavel (PR): mantida em R$ 135,00/saca[1]
  • Rondonópolis (MT): de R$ 126,00 para R$ 125,00/saca[1]
  • Dourados (MS): de R$ 126,50 para R$ 126,00/saca[1]
  • Rio Verde (GO): de R$ 128,00 para R$ 126,00/saca[1]
  • Paranaguá (PR): de R$ 142,00 para R$ 141,00/saca[1]
  • Rio Grande (RS): de R$ 142,00 para R$ 141,00/saca[1]
O dólar comercial encerrou em leve alta, negociado a R$ 5,3374 na venda, com oscilação intradiária entre R$ 5,3214 e R$ 5,3469.[1] Esse movimento deu algum suporte às cotações internas, mas não foi suficiente para destravar o mercado diante da fraqueza em Chicago e dos prêmios negativos.

Relatórios recentes de oferta e demanda de órgãos como USDA e Conab vêm apontando estoques globais mais confortáveis de soja, com expectativa de safra robusta na América do Sul, o que ajuda a explicar a resistência do mercado em sustentar altas mais consistentes.

O que observar daqui pra frente

Nos próximos dias, o produtor deve acompanhar com atenção a combinação de três fatores: Chicago, câmbio e andamento da safra na América do Sul. Qualquer revisão de produtividade pela Conab ou USDA, mudanças na postura da China nas compras e variações mais fortes do dólar podem abrir janelas pontuais de preços mais atrativos para travar parte da produção, especialmente em praças que hoje operam com recuo nas cotações.

Fontes

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