Tecnologia

Solinftec acelera estratégia de IA e reorganiza liderança

Agtech troca executivos e coloca fundadores à frente da tecnologia para acelerar produtos de inteligência artificial voltados ao campo.

09 de outubro de 2026 4 min de leitura
Solinftec acelera estratégia de IA e reorganiza liderança

A Solinftec está reorganizando sua estrutura para acelerar o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial no agronegócio. A mudança inclui a saída do vice-presidente global Denis Arroyo Alves e do CTO Henrique Nomura, além da entrada de fundadores em posições estratégicas. O objetivo é reduzir a burocracia e colocar a IA no centro da próxima fase de crescimento da agtech.

O que aconteceu

Denis Arroyo Alves deixou o cargo de vice-presidente global em setembro, após dois anos e meio na empresa. Henrique Nomura, que estava na Solinftec havia nove anos e ocupava a posição de diretor de tecnologia nos últimos sete, também saiu da companhia.

Segundo informações apuradas pelo AgFeed, os fundadores assumiram, ao menos no curto prazo, as áreas ligadas à tecnologia e à inovação. A decisão busca acelerar o pipeline de produtos e aumentar o ritmo de lançamentos, especialmente em aplicações de IA.

O CEO Britaldo Hernandez definiu a estratégia como uma transformação cultural. A empresa pretende se posicionar como uma companhia de “IA raiz”, com recursos incorporados diretamente aos equipamentos e às operações agrícolas. A proposta inclui o conceito de IA física, no qual os sistemas não apenas recomendam ações, mas ajudam a executá-las no campo.

Imagem

Por que importa para o agro

A disputa entre empresas de tecnologia agrícola está migrando da coleta de dados para a capacidade de transformar informação em decisão operacional. No campo, isso significa prever problemas, simular alternativas e automatizar respostas em atividades como plantio, pulverização, colheita e logística.

Para o produtor, soluções mais proativas podem reduzir paradas, desperdícios de insumos e tempo gasto na análise de informações. O ganho, porém, depende da qualidade dos dados, da conectividade disponível e da integração entre máquinas, plataformas e sistemas de gestão.

A Embrapa afirma que a agricultura digital combina sensores, conectividade, big data e inteligência artificial para melhorar a eficiência no uso de recursos, a rentabilidade e a sustentabilidade. A instituição também alerta que sistemas de IA precisam de dados confiáveis e variados para evitar vieses.

Dados e contexto

  • 2007: ano de fundação da Solinftec, em Araçatuba (SP), por engenheiros cubanos liderados por Britaldo Hernandez.
  • Dois anos e meio: período em que Denis Arroyo Alves ocupou a vice-presidência global.
  • Nove anos: tempo de Henrique Nomura na companhia antes de deixar a posição de CTO.
  • Agro-i: iniciativa da Embrapa para integrar dados agropecuários e aplicar inteligência artificial na análise de cenários e riscos.
  • IA generativa: utilizada por unidades da Embrapa para acelerar pesquisas e qualificar recomendações ao setor produtivo.
A mudança da Solinftec acompanha um movimento mais amplo de empresas e instituições que buscam integrar dados históricos, informações de máquinas, imagens, clima e registros de campo. O desafio é converter esse conjunto em recomendações práticas, auditáveis e compatíveis com a rotina das fazendas.

O que observar daqui pra frente

Os próximos lançamentos devem mostrar se a nova estrutura conseguirá transformar a promessa de IA em ferramentas usadas diariamente nas operações agrícolas. O mercado deverá acompanhar a velocidade de desenvolvimento, a precisão das recomendações, a integração com máquinas e o retorno financeiro para o cliente. Também serão decisivos a governança dos dados, a segurança dos sistemas e a capacidade de operar em regiões com conectividade limitada.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo