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Super El Niño intensifica riscos climáticos para a safra 2026/27

Fenômeno deve gerar divisão de chuvas no país e aumentar riscos desiguais para soja, milho e demais culturas na safra 2026/27.

08 de setembro de 2026 4 min de leitura
Super El Niño intensifica riscos climáticos para a safra 2026/27

Um Super El Niño deve atuar com força durante a safra brasileira 2026/27, elevando o risco de chuvas desiguais no país e pressão sobre produtividade de grãos. Para o agro, o cenário é de divisão clara: excesso de chuva no Sul e déficit hídrico em Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, com impacto direto em soja, milho safrinha e outras culturas.

O que aconteceu

Modelos climáticos globais e painéis oficiais de monitoramento indicam alta probabilidade de manutenção de um El Niño forte a muito forte até pelo menos o início de 2027. A fase crítica coincide com o ciclo da safra 2026/27, do plantio da soja à colheita do milho safrinha.

A consultoria Aon e agrometeorologistas ouvidos pelo Canal Rural alertam que o fenômeno não afeta o Brasil de forma homogênea. Regiões como Matopiba, Norte e parte do Centro-Oeste tendem a enfrentar estiagens prolongadas e calor intenso, enquanto o Sul deve registrar chuvas acima da média, com risco de encharcamento de solo e avanço de doenças.

O governo federal ampliou o monitoramento climático por meio de instituições como INPE, INMET e Cemaden, que apontam probabilidade superior a 90–95% de persistência do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026, com chance relevante de evento muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o principal efeito é a irregularidade das chuvas na fase de plantio e enchimento de grãos. No Cerrado e Matopiba, atraso da regularização das precipitações pode empurrar o plantio da soja para fora da janela ideal, comprimindo o calendário do milho segunda safra e elevando o risco de quebra.

No Sul, volume de chuva acima do normal aumenta o risco de erosão, compactação do solo e doenças fúngicas em soja, trigo e milho. Produtores podem enfrentar mais aplicações de fungicidas, custos maiores e janelas de colheita mais apertadas, com impacto direto na rentabilidade e na logística.

Dados e contexto

Instituições de referência em clima e agricultura indicam um quadro consistente de risco elevado para a safra 2026/27:

  • INPE / INMET / Cemaden: probabilidade acima de 90–95% de permanência do El Niño até início de 2027, com projeções de chuvas abaixo da média no centro-norte do Brasil e acima da média na Região Sul.
  • Painéis climáticos indicam chance superior a 60% de evento de intensidade muito forte na transição 2026/27.
  • Em documentos técnicos, a Embrapa já recomenda ações de mitigação para El Niño muito forte, com foco em manejo de solo, escolha de cultivares e ajuste de calendário.
  • Para o Matopiba e Norte, o risco central é de estiagem no período crítico de desenvolvimento da soja, com impacto potencial em até metade da área em alguns cenários.
Se necessário, dados oficiais como os da Conab e do USDA devem ser acompanhados para mensurar impactos em produção e exportações. Em anos recentes de El Niño forte, quedas de produtividade regional chegaram a 10–20% em áreas mais afetadas, enquanto outras regiões registraram ganhos, reforçando o caráter desigual do fenômeno.
Região brasileiraTendência de impacto em 2026/27
SulChuvas acima da média, risco de encharcamento e doenças
Norte e MatopibaSeca e irregularidade de chuva, estresse hídrico
Centro-Oeste (norte)Maior risco de atraso de chuva e plantio
SudesteRedução moderada das precipitações, atenção à irrigação

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar boletins de INMET, INPE, Cemaden e Embrapa, além de serviços privados de agrometeorologia, ajustando o planejamento de plantio, escolha de cultivares e estratégias de seguro rural. A janela de decisão está no segundo semestre de 2026: quem antecipar manejo de solo, escalonamento de plantio, contratos de irrigação e proteção de preço terá mais chance de atravessar o Super El Niño com menor perda de produtividade e margem.

Fontes

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