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Tarifa dos EUA pode chegar a 37,5% e pressiona competitividade do agro brasileiro

Nova sobretaxa dos EUA pode elevar para 37,5% o custo de parte das exportações do agro brasileiro e ameaça margens e acesso ao maior mercado mundial.

27 de julho de 2026 4 min de leitura
Tarifa dos EUA pode chegar a 37,5% e pressiona competitividade do agro brasileiro

A nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode elevar a tributação de parte das exportações do agro para até 37,5%, somando uma taxa adicional de 12,5% à sobretaxa de 25% já aplicada. A medida encarece o produto brasileiro no principal mercado mundial e coloca em risco a competitividade de cadeias como açúcar, etanol, madeira, proteína animal e outros itens relevantes da pauta do agronegócio.

O que aconteceu

O governo dos EUA anunciou uma nova tarifa de até 12,5% sobre diversos produtos brasileiros, em investigação baseada na Seção 301, ligada ao combate ao trabalho forçado.[1] Essa cobrança se soma, em parte da pauta, à sobretaxa de 25% já em vigor, elevando o custo total para 37,5% em determinados itens.[1][9]

Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indica que cerca de um terço das exportações do agro brasileiro aos EUA poderá ser afetado simultaneamente pelas duas tarifas, ficando sujeito à alíquota máxima de 37,5% sobre o valor exportado.[1] Em casos específicos, como etanol, açúcar e alguns produtos de madeira, a combinação das taxações já é apontada como fator direto de perda de competitividade frente a concorrentes globais.[7][10]

Por que importa para o agro

Sobretaxas nesse patamar reduzem margem de lucro, dificultam a formação de preço competitivo e podem levar à revisão de contratos e redirecionamento de cargas para outros destinos. Para produtos com baixa flexibilidade de logística ou forte dependência do mercado norte-americano, o risco é de queda imediata de exportações.

O produtor tende a sentir o impacto via recuo de demanda industrial, pressão de preços na origem e maior volatilidade na formação de indicadores internos. Setores já pressionados por custos elevados e câmbio instável passam a operar com menos previsibilidade, o que afeta decisões de investimento, renovação de áreas e planejamento de safra.

Dados e contexto

Estudos de CNA, CNI e governo brasileiro mostram que o efeito das tarifas é relevante na pauta total de exportações:

IndicadorValor aproximado
Parcela do agro brasileiro aos EUA sujeita a 37,5% (CNA)**cerca de 33%**[1]
Participação potencial de todas as exportações brasileiras (indústria + agro) sujeitas a 37,5% (CNI)**31,6%**[7]
Exportações brasileiras totais afetadas por tarifação de até 37,5% (MDIC)**16,5%**, cerca de US$ 6,6 bilhões[2]
Exportações para os EUA ainda livres das novas tarifas**52,7%**[2]

Entre os produtos mais citados em listas de impacto estão:

  • Etanol e açúcar de cana, com possibilidade de tarifa combinada de 37,5%.[7][10]
  • Sebo bovino e outros derivados animais.[1][7]
  • Produtos de madeira e molduras padrão pinho.[7]
  • Arroz, uvas frescas, ovos e itens de madeira.[10]
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta que, somadas às medidas setoriais já aplicadas com base na Seção 232, até 54,1% das exportações brasileiras aos EUA podem enfrentar algum tipo de tributação adicional.[7] Para o agro, CNA estima impacto potencial de bilhões de dólares se não houver ampliação da lista de exceções até 2026.[5]

O que observar daqui pra frente

O produtor e a indústria devem acompanhar três pontos: desfecho das negociações entre Brasil e EUA, possibilidade de ampliação de exceções setoriais e movimentação de concorrentes em mercados alternativos. Se as tarifas forem mantidas, a tendência é de ajustes na pauta exportadora, busca de novos destinos, revisão de mix de produtos e maior peso de políticas de mitigação de risco cambial e comercial na gestão das fazendas e cooperativas.

Fontes

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