Tarifa dos EUA pode chegar a 37,5% e pressiona competitividade do agro brasileiro
Nova sobretaxa dos EUA pode elevar para 37,5% o custo de parte das exportações do agro brasileiro e ameaça margens e acesso ao maior mercado mundial.

A nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode elevar a tributação de parte das exportações do agro para até 37,5%, somando uma taxa adicional de 12,5% à sobretaxa de 25% já aplicada. A medida encarece o produto brasileiro no principal mercado mundial e coloca em risco a competitividade de cadeias como açúcar, etanol, madeira, proteína animal e outros itens relevantes da pauta do agronegócio.
O que aconteceu
O governo dos EUA anunciou uma nova tarifa de até 12,5% sobre diversos produtos brasileiros, em investigação baseada na Seção 301, ligada ao combate ao trabalho forçado.[1] Essa cobrança se soma, em parte da pauta, à sobretaxa de 25% já em vigor, elevando o custo total para 37,5% em determinados itens.[1][9]
Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indica que cerca de um terço das exportações do agro brasileiro aos EUA poderá ser afetado simultaneamente pelas duas tarifas, ficando sujeito à alíquota máxima de 37,5% sobre o valor exportado.[1] Em casos específicos, como etanol, açúcar e alguns produtos de madeira, a combinação das taxações já é apontada como fator direto de perda de competitividade frente a concorrentes globais.[7][10]
Por que importa para o agro
Sobretaxas nesse patamar reduzem margem de lucro, dificultam a formação de preço competitivo e podem levar à revisão de contratos e redirecionamento de cargas para outros destinos. Para produtos com baixa flexibilidade de logística ou forte dependência do mercado norte-americano, o risco é de queda imediata de exportações.
O produtor tende a sentir o impacto via recuo de demanda industrial, pressão de preços na origem e maior volatilidade na formação de indicadores internos. Setores já pressionados por custos elevados e câmbio instável passam a operar com menos previsibilidade, o que afeta decisões de investimento, renovação de áreas e planejamento de safra.
Dados e contexto
Estudos de CNA, CNI e governo brasileiro mostram que o efeito das tarifas é relevante na pauta total de exportações:
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Parcela do agro brasileiro aos EUA sujeita a 37,5% (CNA) | **cerca de 33%**[1] |
| Participação potencial de todas as exportações brasileiras (indústria + agro) sujeitas a 37,5% (CNI) | **31,6%**[7] |
| Exportações brasileiras totais afetadas por tarifação de até 37,5% (MDIC) | **16,5%**, cerca de US$ 6,6 bilhões[2] |
| Exportações para os EUA ainda livres das novas tarifas | **52,7%**[2] |
Entre os produtos mais citados em listas de impacto estão:
- Etanol e açúcar de cana, com possibilidade de tarifa combinada de 37,5%.[7][10]
- Sebo bovino e outros derivados animais.[1][7]
- Produtos de madeira e molduras padrão pinho.[7]
- Arroz, uvas frescas, ovos e itens de madeira.[10]
O que observar daqui pra frente
O produtor e a indústria devem acompanhar três pontos: desfecho das negociações entre Brasil e EUA, possibilidade de ampliação de exceções setoriais e movimentação de concorrentes em mercados alternativos. Se as tarifas forem mantidas, a tendência é de ajustes na pauta exportadora, busca de novos destinos, revisão de mix de produtos e maior peso de políticas de mitigação de risco cambial e comercial na gestão das fazendas e cooperativas.
Fontes
- Canal Rural – Tarifa dos EUA eleva para 37,5% sobretaxa sobre 33% das exportações do agro brasileiro
- Estadão – Sobretaxa de 37,5% irá atingir um terço das exportações do agro brasileiro aos EUA, diz CNA
- Brasil 247 – 16,5% das exportações brasileiras para os EUA serão afetadas pelo tarifaço de 37,5%
- Exame – Tarifaço dos EUA pode afetar um terço das exportações do Brasil
- YouTube – Tarifa de 25% dos EUA passa a valer e pressiona o agro brasileiro
- noticiasagricolas.com.br
- cnnbrasil.com.br
- brasilagro.com.br
- rzkagro.com.br
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- romanews.com.br
- agricultura.pr.gov.br
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