Tarifaço redesenha as exportações brasileiras aos EUA
Um ano após as tarifas dos EUA, as vendas brasileiras ao mercado americano encolheram e mudaram de perfil, com efeitos diretos no agro e na indústria.

Um ano após o início do tarifaço dos Estados Unidos, o comércio brasileiro com o mercado americano perdeu espaço e mudou de perfil. O impacto já aparece no mapa das exportações por estado e atinge setores do agro, da indústria e da logística. O g1 comparou os dados do MDIC entre o primeiro semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026.
O que aconteceu
O levantamento mostra quais estados ganharam ou perderam espaço nas vendas aos EUA depois da adoção das tarifas. O saldo do mapa é a diferença entre o valor exportado nos dois períodos: quando positivo, indica avanço; quando negativo, mostra recuo.[1]
A mudança não foi homogênea. Alguns estados conseguiram preservar parte das vendas com produtos fora da lista tarifada, enquanto outros sentiram forte pressão sobre itens mais expostos ao imposto adicional.[1][7]
Entre os produtos mais sensíveis estão máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e parte dos itens de alumínio. Já petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja e ferro-nióbio ficaram fora da nova tarifa, o que reduziu o dano sobre parte da pauta exportadora.[10][13]
Por que importa para o agro
Para o agro, o efeito principal está na perda de competitividade de cadeias que dependem do mercado americano. Quando a tarifa sobe, o produto brasileiro chega mais caro ao importador dos EUA e disputa espaço com fornecedores de outros países.[10][13]
Isso pressiona margens, derruba volumes e força empresas a redirecionar embarques. No curto prazo, setores como açúcar, etanol, tabaco e madeira tendem a sentir mais a mudança, enquanto café, carne e suco de laranja sofrem menos por causa das exceções.[10][11][13]
Dados e contexto
- As exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 13% ante igual período de 2025, segundo a Amcham Brasil.[3][5]
- A participação dos EUA nas exportações do Brasil recuou para 9,4%, o menor nível da série histórica iniciada em 1997.[3][5][7]
- Em julho, mês de anúncio de nova rodada de tarifas, as vendas brasileiras aos EUA caíram 5%, para US$ 3,638 bilhões.[4]
- A Secex estimou que 57% das exportações brasileiras aos EUA ficaram sem incidência das novas tarifas.[7]
- O MDIC foi a base usada pelo g1 para comparar o primeiro semestre de 2025 com o de 2026.[1]
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Exportações aos EUA no 1º semestre de 2026 | US$ 17,4 bilhões |
| Queda ante 1º semestre de 2025 | 13% |
| Participação dos EUA nas exportações brasileiras | 9,4% |
| Parcela sem nova tarifa | 57% |
O que observar daqui pra frente
O principal ponto é saber se as exceções serão suficientes para segurar parte da pauta agroexportadora ou se novas tarifas vão atingir mais itens. Também importa acompanhar se empresas brasileiras conseguirão abrir mercado em outros destinos para compensar a perda nos EUA. Se a pressão continuar, estados mais dependentes do comércio com os americanos tendem a ajustar produção, contratos e preços mais rápido.[1][7][12]
Fontes
- g1 — Infográfico mostra como o tarifaço mudou o mapa das exportações brasileiras aos EUA
- g1 — Tarifas dos EUA já fizeram Brasil perder R$ 13,2 bilhões
- Amcham Brasil / cobertura do G1 e O Globo sobre a queda das exportações aos EUA
- oglobo.globo.com
- www1.folha.uol.com.br
- oglobo.globo.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- g1.globo.com
- oglobo.globo.com
- valor.globo.com
- oglobo.globo.com
- bcb.gov.br
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