Gestão

TCU expõe fracasso de obras hidroviárias e trava da BR dos Rios

Apenas 6% dos projetos hidroviários previstos pela União foram concluídos até 2020, segundo o TCU, escancarando gargalos de infraestrutura que encarecem o escoamento da produção agropecuária.

11 de junho de 2026 4 min de leitura
TCU expõe fracasso de obras hidroviárias e trava da BR dos Rios

O Tribunal de Contas da União apontou que só 6% dos projetos hidroviários previstos pelo governo federal foram concluídos até 2020, mostrando atraso crônico em uma das frentes mais baratas para escoar grãos, fertilizantes e commodities. O dado reforça a dependência do transporte rodoviário, pressiona o custo do frete e limita a competitividade do agro brasileiro em pleno crescimento de safra.

O que aconteceu

Auditoria do TCU analisou a política de hidrovias da União e constatou execução mínima dos investimentos prometidos, com a maioria dos empreendimentos em fase inicial ou simplesmente parados. O tribunal identificou falhas de planejamento, falta de priorização e baixa capacidade de execução dos órgãos responsáveis pela infraestrutura aquaviária.

Segundo a análise, projetos estruturantes seguem sem marco regulatório claro, o que dificulta concessões, parcerias com o setor privado e planejamento de longo prazo. Mesmo corredores estratégicos para o escoamento da produção do Centro-Oeste, Norte e Sul continuam dependentes de decisões pontuais e fragmentadas.

O cenário se agrava pela ausência de um marco específico para as hidrovias, conhecido como BR dos Rios, que ainda não foi concluído pelo governo federal, segundo análises de mercado e de consultorias especializadas.[10]

Imagem

Por que importa para o agro

Para o produtor, hidrovias eficientes significam frete mais barato, menor desgaste de caminhões, menos riscos de interrupção e maior previsibilidade na entrega de grãos, carnes, minério, combustíveis e insumos. O atraso nas obras mantém a dependência de rodovias congestionadas e caras, especialmente em épocas de pico de safra.

A lentidão nesses projetos também reduz o interesse de tradings, cooperativas e empresas em instalar terminais em portos fluviais, limitando alternativas logísticas em regiões em expansão agrícola, como o Arco Norte. Na prática, o agro paga mais pelo transporte porque o país não transforma seu potencial hidroviário em infraestrutura real.

Dados e contexto

O Brasil tem uma das maiores redes de rios navegáveis do mundo, mas o uso comercial ainda é pequeno diante do potencial. Enquanto isso, o transporte interno de grãos segue concentrado nas rodovias, com custos maiores por tonelada-quilômetro em comparação a hidrovias e ferrovias, segundo estudos de logística agrícola de instituições como Ipea e Embrapa.[9]

O TCU identificou, entre outros pontos:

  • Só 6% dos projetos hidroviários previstos foram concluídos até 2020.
  • A maior parte das obras está atrasada, sem cronograma claro ou com execução mínima.
  • Falta coordenação entre Ministério dos Transportes, agências reguladoras e estados na priorização dos corredores hidroviários.
Um marco regulatório das hidrovias, apelidado de BR dos Rios, ainda está em elaboração e é apontado pelo mercado como peça-chave para atrair capital privado, destravar concessões e dar segurança jurídica a investimentos em terminais, dragagens e balizamento.[10]

Para o agro, isso significa que corredores com grande potencial – como bacias do Madeira, Tapajós, Tocantins-Araguaia, Paraguai-Paraná e Tietê-Paraná – seguem operando abaixo da capacidade, seja por restrições de calado, seja por falta de infraestrutura portuária e de integração com rodovias e ferrovias.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e tradings devem acompanhar de perto o avanço do marco da BR dos Rios, a priorização de corredores hidroviários no orçamento federal e a agenda de concessões. Se o governo conseguir estruturar regras claras e projetos viáveis, o agro pode ganhar, em alguns anos, uma alternativa logística mais barata e previsível; se o quadro de atraso persistir, a conta do frete continuará alta e a competitividade brasileira seguirá pressionada.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo