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Tecnologia pode levar o Brasil à liderança global na agricultura

Alysson Paolinelli defendeu que ciência e tecnologia permitem ao Brasil ampliar a produção de alimentos sem avançar sobre áreas nativas.

17 de outubro de 2026 4 min de leitura
Tecnologia pode levar o Brasil à liderança global na agricultura

O ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli defendeu que o Brasil tem condições de liderar a produção mundial de alimentos com base em ciência, tecnologia e uso eficiente das áreas já abertas. Para ele, o avanço da agricultura tropical pode ampliar a oferta global sem exigir a expansão sobre a vegetação nativa.

O que aconteceu

Durante evento sobre agricultura e segurança alimentar, Paolinelli afirmou que o desenvolvimento brasileiro no Cerrado transformou áreas consideradas pouco produtivas em uma das principais regiões agrícolas do mundo. O processo foi sustentado por pesquisa, correção de solos, melhoramento genético e adaptação de cultivos ao clima tropical.

O ex-ministro também defendeu que o país pode responder ao crescimento da demanda mundial por alimentos usando áreas já antropizadas. Segundo a avaliação apresentada, o desafio central não é abrir novas fronteiras, mas investir em produtividade, infraestrutura, logística e inovação.

Paolinelli foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2021 por sua contribuição para a expansão da agricultura no Cerrado. A candidatura associou o trabalho desenvolvido no Brasil à segurança alimentar e ao potencial de redução da fome no mundo.

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Por que importa para o agro

A estratégia reduz a dependência de expansão territorial e aumenta o valor econômico da tecnologia aplicada ao campo. Para o produtor, isso significa maior pressão por eficiência no uso de fertilizantes, água, máquinas, sementes e defensivos, além da necessidade de comprovar boas práticas ambientais.

A liderança também depende de capacidade de entregar produção competitiva aos mercados. Sem armazenagem, ferrovias, portos, crédito e previsibilidade regulatória, ganhos de produtividade podem ser reduzidos por custos elevados e gargalos de comercialização.

A agricultura tropical brasileira pode ocupar espaço maior no comércio internacional, mas precisará responder a exigências crescentes de rastreabilidade, redução de emissões e proteção de áreas nativas. A sustentabilidade tende a deixar de ser apenas uma vantagem de imagem e se tornar requisito de acesso aos compradores.

Dados e contexto

  • As exportações de alimentos de países tropicais passaram de 21,7% para 39% da participação global entre 2015 e 2021, conforme dados apresentados no evento.
  • O Brasil preserva cerca de 70% de sua vegetação nativa, segundo a declaração reproduzida na matéria.
  • A produção tropical depende de pesquisa para corrigir limitações de solo, desenvolver cultivares adaptadas e elevar a produtividade.
  • A Embrapa teve papel central na geração de tecnologias para o Cerrado e na adaptação de culturas às condições brasileiras.
  • Norman Borlaug, vencedor do Nobel da Paz de 1970, reconheceu a relevância da agricultura para a segurança alimentar mundial e influenciou o debate sobre a modernização agrícola.
A experiência do Cerrado mostra que produtividade e conservação não são objetivos necessariamente opostos. O resultado depende de planejamento territorial, fiscalização, assistência técnica e adoção de tecnologias adequadas a cada região.

O que observar daqui para frente

O avanço brasileiro dependerá da continuidade dos investimentos em pesquisa pública e privada, conectividade, crédito e capacitação. Produtores e empresas também precisarão acompanhar as regras ambientais dos mercados compradores. A oportunidade é ampliar exportações com mais valor agregado; o risco é perder competitividade caso custos logísticos, instabilidade regulatória e desmatamento ilegal prejudiquem a imagem do país.

Fontes

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