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Tecnologia pode triplicar produção de morangos e reduzir perdas

Pesquisadores desenvolveram uma cobertura que protege os morangueiros e elevou em até 3,56 vezes a produção de frutos comerciais em testes.

18 de outubro de 2026 4 min de leitura
Tecnologia pode triplicar produção de morangos e reduzir perdas

Pesquisadores desenvolveram uma cobertura têxtil capaz de proteger os morangueiros sem bloquear a passagem de luz, chuva e ar. Em testes de campo, o material elevou em até 3,56 vezes a quantidade de frutos comerciais. A tecnologia pode aumentar a produtividade e reduzir danos causados por insetos e condições climáticas adversas.

O que aconteceu

O estudo foi conduzido por pesquisadores da North Carolina State University, nos Estados Unidos. A equipe adaptou uma malha originalmente desenvolvida para proteger contra insetos que picam, como mosquitos, para uso em túneis agrícolas destinados ao cultivo de morangos.

Nos ensaios, as plantas protegidas com o tecido Plant Armor Gen 2 produziram muito mais frutos colhíveis do que as plantas mantidas sem cobertura. O resultado foi atribuído à proteção física oferecida pelo material, sem comprometer a ventilação e a incidência de radiação necessárias ao desenvolvimento das plantas.

A cobertura também pode ajudar a reduzir perdas provocadas por pragas e pelo excesso de exposição à chuva. O material já teve a tecnologia licenciada para uso comercial, mas ainda depende de avaliações em diferentes regiões, cultivares e sistemas de produção.

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Por que importa para o agro

O morango tem alto valor agregado, mas apresenta elevada sensibilidade a pragas, doenças, chuva e danos durante a colheita. Qualquer solução que aumente a proporção de frutos comerciais pode melhorar a receita por área e reduzir o descarte no campo.

A tecnologia também se encaixa na expansão do cultivo protegido e semi-hidropônico. Sistemas em estufas e bancadas permitem maior controle do ambiente, melhor ergonomia para os trabalhadores e uso mais intensivo da área. A Embrapa aponta que o cultivo protegido pode ampliar o período de colheita e, em determinadas condições, triplicar o potencial de uso da terra.

Para o produtor, porém, o ganho de produtividade precisa ser comparado ao custo da instalação, da malha, da manutenção e da mão de obra. O retorno dependerá do preço recebido pelo morango, da pressão de pragas e da adaptação do material ao clima local.

Dados e contexto

  • 3,56 vezes: aumento máximo na produção de frutos comerciais observado nos testes com a cobertura têxtil.
  • Plant Armor Gen 2: nome do material desenvolvido para proteger as plantas sem bloquear luz, ar e chuva.
  • Até 120 mil plantas por hectare: densidade citada para sistemas suspensos e semi-hidropônicos, contra cerca de 40 mil plantas no cultivo convencional em solo, conforme referência de produção em Pelotas.
  • BRS DC25 Fênix: cultivar de morango desenvolvida pela Embrapa e lançada em 2023, com expansão para diferentes regiões brasileiras.
  • Produção integrada: programa coordenado pelo MAPA e apoiado pela Embrapa para racionalizar o uso de agrotóxicos e melhorar a segurança da produção.
O desempenho da nova cobertura não deve ser confundido com uma garantia de triplicação da produtividade em qualquer propriedade. Os resultados podem variar conforme clima, variedade, manejo, irrigação, fertilidade e nível de infestação.

O que observar daqui pra frente

Os próximos passos envolvem testes comerciais em diferentes ambientes, análises de durabilidade e cálculo do custo por hectare. Produtores devem acompanhar a disponibilidade da tecnologia, verificar sua compatibilidade com estufas e avaliar o retorno sobre o investimento antes da adoção. A combinação entre cobertura física, irrigação eficiente, manejo integrado e cultivares adaptadas tende a oferecer os melhores resultados.

Fontes

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