Mercado

Trump elogia carne bovina brasileira e reforça papel do Brasil no fornecimento aos EUA

Ao elogiar a qualidade da carne bovina brasileira e sinalizar maior abertura às importações, Trump reforça o peso do Brasil na segurança alimentar dos EUA.

09 de setembro de 2026 4 min de leitura
Trump elogia carne bovina brasileira e reforça papel do Brasil no fornecimento aos EUA

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a citar a carne bovina brasileira como produto de "boa qualidade" e "muito limpo", destacando que boa parte da proteína importada pelos EUA vem do Brasil e da Argentina. A fala ocorre em meio ao esforço do governo americano para aumentar a oferta de carne e segurar preços internos, movimento que tende a manter o Brasil como fornecedor estratégico.

O que aconteceu

Em discurso sobre medidas para baixar o preço da carne nos EUA, Trump afirmou que a proteína importada pelos norte-americanos vem principalmente do Brasil e da Argentina, elogiando a qualidade e dizendo que a carne é "muito boa" e passa por inspeções antes de entrar no mercado americano.

A declaração foi feita em evento na Casa Branca em que o republicano defendeu a ampliação das cotas de importação e a redução de tarifas para carne bovina estrangeira, citando o Brasil como peça-chave para aumentar rapidamente a oferta nos supermercados e redes de fast-food.

O movimento dialoga com uma fase de escassez de gado nos EUA, com estoques nos menores níveis em décadas, o que força o país a buscar mais produto no exterior. Nesse cenário, o Brasil se consolida como fornecedor relevante de carne bovina, sobretudo para uso em carne moída e hambúrguer.

Por que importa para o agro

A fala de Trump reforça que o mercado americano depende da carne bovina brasileira para manter prateleiras abastecidas e preços sob controle. Isso indica espaço para crescer embarques de dianteiro e aparas, categorias em que o Brasil é competitivo e que são usadas em carne moída e hambúrgueres nos EUA.

Para o pecuarista brasileiro, o recado é claro: apesar da retórica protecionista, o maior consumidor mundial de carne segue precisando de volumes e regularidade de fornecimento. Quem estiver atento a padronização, rastreabilidade, sanidade e custo tem chance de ganhar mercado, especialmente em grandes indústrias exportadoras.

Dados e contexto

Nos últimos anos, os EUA se consolidaram como segundo principal destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China, respondendo por cerca de 12% do volume exportado.

De janeiro a julho de 2026, o Brasil embarcou aproximadamente 230 mil toneladas de carne bovina para os EUA, alta superior a 15% frente ao mesmo período do ano anterior, fortalecendo o papel do país na segurança alimentar americana.

Relatórios com base em dados do USDA mostram que a participação brasileira nas importações de carne bovina dos EUA saltou de menos de 1% em 2020 para mais de 25% em 2025, com foco em beef trimmings (aparas magras), base da produção de ground beef consumido em hambúrgueres e pratos processados.

Esse avanço ocorre em paralelo à queda do rebanho americano, em níveis mínimos em cerca de sete décadas, o que reduz a oferta interna de fêmeas de menor qualidade usadas na produção de carne moída e abre espaço para importações recorrentes.

Indicador-chaveSituação recente
Posição dos EUA nas exportações de carne bovina do Brasil2º maior mercado, atrás da China
Participação do Brasil na carne importada pelos EUAsalto de <1% para >25% em cinco anos
Foco da carne brasileira nos EUAdianteiro e aparas para carne moída/hambúrguer

O que observar daqui pra frente

A fala elogiosa de Trump cria um ambiente político favorável à ampliação de cotas ou redução de tarifas para carne bovina brasileira, mas o produtor deve ficar atento à volatilidade: mudanças de governo, pressão de pecuaristas americanos e eventuais barreiras sanitárias podem alterar as regras do jogo. Para o Brasil, a oportunidade está em consolidar imagem de fornecedor confiável, com qualidade e regularidade, ao mesmo tempo em que diversifica destinos para reduzir riscos de depender demais de poucos compradores.

Fontes

}
Compartilhar:

Continue lendo