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UE mira cadeias de abastecimento e agronegócio no acordo com o Mercosul

União Europeia quer usar o acordo com o Mercosul para garantir cadeias de abastecimento agrícolas mais seguras, com foco em segurança alimentar, clima e comércio.

19 de maio de 2026 4 min de leitura
UE mira cadeias de abastecimento e agronegócio no acordo com o Mercosul

A União Europeia colocou cadeias de abastecimento seguras e agronegócio no centro do acordo com o Mercosul. Em evento com empresários, representantes europeus reforçaram que o tratado é peça estratégica para segurança alimentar, transição climática e diversificação de parceiros comerciais, abrindo espaço para o agro brasileiro em um mercado de alto valor.

O que aconteceu

Durante painel sobre o acordo Mercosul–União Europeia, em São Paulo, o diretor-geral adjunto para Agricultura e Desenvolvimento Rural da Comissão Europeia, Michael Scannell, afirmou que o bloco quer relançar o diálogo com o Brasil e usar o tratado como plataforma para cadeias mais resilientes.

Segundo ele, o acordo é visto em Bruxelas como ferramenta para fortalecer a segurança alimentar, reduzir riscos em momentos de crise e aproximar produtores dos dois lados do Atlântico em temas como clima, inovação e comércio de alimentos.

Scannell destacou que a UE busca parceiros confiáveis para matérias-primas agrícolas e insumos, e que o Brasil ocupa posição central nessa estratégia. O acordo é tratado como um “tripé” de segurança alimentar, segurança climática e segurança comercial, com impacto direto sobre o agronegócio.

Por que importa para o agro

A sinalização da UE reforça que o Brasil segue no radar como fornecedor estratégico de alimentos, fibras e bioenergia. Isso pode significar maior previsibilidade de demanda e espaço para produtos com valor agregado, como carnes processadas, café industrializado, frutas e ingredientes para a indústria de alimentos.

Ao mesmo tempo, o discurso europeu deixa claro que acesso ao mercado virá atrelado a regras ambientais rígidas, rastreabilidade e comprovação de desmatamento zero. Produtores que se adaptarem mais rápido tendem a capturar prêmios de preço e contratos de longo prazo, enquanto quem não acompanhar pode perder competitividade.

Dados e contexto

O acordo Mercosul–UE, concluído politicamente em 2019, ainda não entrou em vigor, mas as ofertas já indicam mudanças relevantes para o agro:

Ponto-chaveDetalhe
Liberalização geralUE deve zerar tarifas para **92% das importações** do Mercosul em até 10 anos; Mercosul liberaliza **91%** das importações da UE (Estudo do Senado, TD 268/2019).
Setor agrícola na UELiberalização de **82% do volume de comércio** e **77% das linhas tarifárias agrícolas**, com cotas preferenciais para produtos sensíveis.
Setor agrícola no MercosulLiberalização de **96% do volume de comércio** e **94% das linhas agrícolas**, com prazos de até 15 anos para alguns itens.
Produtos brasileiros com ganho diretoCafé torrado e solúvel (tarifa zerada em 4 anos), fumo manufaturado, frutas, sucos e óleos vegetais têm redução rápida de tarifas.

Segundo o Ministério da Agricultura e da Pecuária (MAPA), hoje o Brasil exporta cerca de 200 produtos agropecuários para a UE, com foco em carnes, açúcar, café, soja, celulose e suco de laranja. O bloco responde por aproximadamente 15% das exportações do agro brasileiro, de acordo com a Embrapa e o MAPA.

A ApexBrasil estima que o acordo pode elevar as exportações brasileiras em até US$ 1 bilhão no primeiro ano de vigência, sobretudo em segmentos já consolidados. Para a UE, o tratado ajuda a reduzir dependência de poucos fornecedores globais em grãos, proteínas animais e insumos industriais.

No campo regulatório, a UE mantém a política de “Pacto Verde” e regulamentos sobre desmatamento importado, exigindo comprovação de que produtos como carne, soja, café e cacau não estão ligados a áreas desmatadas após datas de corte específicas. Isso deve pressionar por rastreamento mais fino da produção.

O que observar daqui pra frente

O desfecho do acordo ainda depende de ajustes políticos e cláusulas ambientais adicionais, mas o recado europeu é que o agronegócio está no centro da estratégia. Produtores e indústrias que invistam em compliance ambiental, certificações, rastreabilidade e agregação de valor estarão melhor posicionados se o tratado avançar. A disputa interna na UE sobre regras verdes e proteção de agricultores locais seguirá no radar e pode definir o ritmo e o formato da abertura para o Brasil.

Fontes

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