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USDA amplia safra dos EUA e pressiona preço da soja no Brasil

Relatório do USDA elevou a safra de soja dos EUA para cerca de 123 milhões t, derrubando cotações em Chicago e tirando até R$ 5 por saca no Brasil.

14 de setembro de 2026 4 min de leitura
USDA amplia safra dos EUA e pressiona preço da soja no Brasil

O novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a projeção de safra de soja americana para cerca de 123 milhões de toneladas, acima do esperado pelo mercado. A revisão aumentou a percepção de oferta global e derrubou as cotações em Chicago, efeito que chegou rápido ao Brasil, onde a saca perdeu entre R$ 3 e R$ 5 em importantes praças produtoras.

O que aconteceu

O USDA ajustou para cima a estimativa da produção de soja dos Estados Unidos na temporada 2026/27, em torno de 4,5 bilhões de bushels, o que equivale a aproximadamente 123–123,4 milhões de toneladas, contrariando analistas que projetavam leve corte na safra.

Com a surpresa de produção maior, os contratos da soja em Chicago recuaram, acompanhados por queda de cerca de 3% no óleo e 1% no farelo, sinalizando maior disponibilidade do complexo soja e reduzindo o prêmio pago pelos derivados.

No Brasil, o movimento externo rapidamente se refletiu nos preços físicos. No Mato Grosso, principais praças registraram desvalorização entre R$ 3 e R$ 5 por saca, enquanto em Passo Fundo (RS) a referência caiu de cerca de R$ 155 para R$ 153 por saca, mostrando ajuste uniforme das indústrias e tradings.

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Por que importa para o agro

A alta da safra americana ocorre no momento em que o produtor brasileiro se prepara para abrir o plantio da temporada 2026/27, com custos ainda elevados em insumos e frete. Margens projetadas passam a depender mais de eficiência de manejo e da capacidade de travar preços em momentos de alta, já que o mercado internacional ficou mais sensível a notícias de oferta.

Para quem ainda tem soja da safra anterior, a pressão adicional reduz espaço para negócios pontuais em patamares vistos semanas atrás. Ao mesmo tempo, exportadores reavaliam estratégias, pois o Brasil segue disputando mercado com os EUA e a referência de Chicago tende a limitar novas rodadas de valorização, mesmo com demanda firme de China e outros compradores.

Dados e contexto

O relatório do USDA indica aumento da safra americana de soja em relação ao mês anterior, saindo da faixa de 121,8 milhões para cerca de 123–123,4 milhões de toneladas, com estoques finais globais mais confortáveis.

No Brasil, o USDA mantém projeção robusta: produção estimada em 180,5 milhões de toneladas para 2025/26 e 186 milhões de toneladas para 2026/27, com exportações em torno de 115–118 milhões de toneladas, reforçando o papel do país como maior exportador mundial.

A seguir, um resumo da fotografia atual:

IndicadorEstimativa USDA (aprox.)

| Safra de soja EUA 2026/27 | 123–123,4 milhões t | | Produção de soja Brasil 2025/26 | 180,5 milhões t | | Produção de soja Brasil 2026/27 | 186 milhões t | | Exportações de soja Brasil 2026/27 | 118 milhões t | | Queda da saca no MT | R$ 3 a R$ 5 | | Queda em Passo Fundo (RS) | R$ 155 → R$ 153/saca |

Instituições como USDA e Conab devem ajustar suas projeções ao longo da safra, conforme clima, área plantada e produtividade. Esses números servem de base para tradings, cooperativas e indústrias definirem prêmios, ritmo de compra e estratégias de hedge.

O que observar daqui pra frente

Produtores e agentes de mercado precisam acompanhar de perto os próximos relatórios do USDA, além dos boletins da Conab e dados de exportação do Brasil, para avaliar se a safra americana se confirma ou se há revisões por clima. A combinação entre produtividade no Brasil, câmbio, prêmios de exportação e demanda da China definirá as janelas mais interessantes para fixação de preços, seja em bolsa, seja no balcão, reduzindo o risco de comercializar em momentos de maior pressão internacional.

Fontes

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