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El Niño reacende alerta para oferta e preços da soja

Fenômeno El Niño pode reduzir oferta brasileira de soja e reabrir ciclo de alta de preços no mercado mundial, com impacto direto na renda do produtor.

14 de setembro de 2026 4 min de leitura
El Niño reacende alerta para oferta e preços da soja

O fortalecimento do El Niño aumenta o risco de quebra na safra brasileira de soja e pode mexer de forma relevante nas cotações internacionais do grão. Economistas lembram que, em episódios fortes, o fenômeno reduz a oferta no Brasil, aperta estoques globais e abre espaço para nova rodada de alta nos preços, com reflexos sobre renda do produtor, custo de alimentos e inflação.

O que aconteceu

Em entrevista à CNN Brasil, o economista José Roberto Mendonça de Barros descreveu dois cenários para a soja diante do El Niño. No primeiro, se o fenômeno repetir o padrão clássico observado em 2015, a produção brasileira pode recuar de forma significativa, levando os estoques mundiais a níveis próximos aos de 2013, período marcado por forte aperto no mercado e valorização das commodities.[1]

Nesse cenário de safra menor, a combinação de oferta mais curta e demanda firme deve empurrar os preços da soja para cima. Segundo o economista, o movimento seria consequência direta da matemática de estoques versus consumo global, num mercado em que o Brasil responde por cerca de metade das exportações mundiais.[1]

No segundo cenário, Mendonça de Barros pondera que o aquecimento simultâneo do Atlântico pode compensar, em parte, os efeitos do Pacífico. Se isso garantir chuvas mais regulares para áreas críticas, especialmente no Nordeste, as perdas de produtividade tendem a ser menores e as cotações podem até recuar em relação aos níveis atuais, refletindo uma situação de oferta mais confortável.[1]

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Por que importa para o agro

Para o produtor de soja, o El Niño significa maior incerteza na produtividade e nos preços. Em regiões como Cerrado e Matopiba, atrasos no início das chuvas podem empurrar o plantio, reduzir o potencial das lavouras e encurtar a janela para o milho safrinha, afetando o planejamento de toda a propriedade.[10][8] Isso aumenta o risco de quebra de safra e pode exigir mais investimento em manejo, replantio e insumos.

Do lado do mercado, uma perda mesmo moderada na produção brasileira tende a repercutir rapidamente nas bolsas internacionais. Simulações divulgadas por consultorias mostram que uma queda próxima de 6% na safra do Brasil já seria suficiente para reduzir estoques globais ao menor nível em três anos e reacender um ciclo de alta de commodities agrícolas.[5] Esse quadro eleva a volatilidade nas cotações, afeta estratégias de hedge e tem impacto direto na indústria de esmagamento, exportadores e cadeia de proteína animal.

Dados e contexto

A importância do Brasil na soja e a sensibilidade ao clima ajudam a explicar o peso do El Niño:

IndicadorDestaque
Participação do Brasil nas exportações mundiais de sojacerca de **50%** da oferta global, segundo USDA
Produção brasileira em cenário de perdaestudo cita projeção de **169 milhões t** com recuo de ~11 milhões t na oferta mundial[5]
Queda simulada na produção nacionalperda de **6%** já derruba estoques globais ao menor nível em 3 anos[5]
Impacto na relação estoque/consumorecuo estimado de **28% para 25%** em cenário adverso[5]

Instituições como USDA, Conab e Embrapa monitoram o efeito do El Niño sobre regime de chuvas, janelas de plantio e produtividade das principais regiões produtoras. Relatórios recentes destacam riscos maiores para soja no Cerrado e milho safrinha, além de possibilidade de excesso de chuva no Sul, que pode favorecer a produção, mas também prejudicar colheita e qualidade dos grãos.[4][10]

O fenômeno também conversa com o quadro macroeconômico. Estudos citados pela CNN apontam que choques de oferta agrícola em anos de El Niño pressionam alimentos, elevam o risco inflacionário e mantêm juros em patamar mais alto por mais tempo, com impacto sobre custo de crédito para o produtor e investimentos no campo.[7][11][8]

O que observar daqui pra frente

Nos próximos meses, o agro deve acompanhar três frentes: a intensidade efetiva do El Niño, os relatórios climáticos e de safra de Conab, USDA e NOAA, e o comportamento das cotações em Chicago. Produtores precisam ajustar calendário de plantio, proteção de preço e manejo de risco climático, avaliando oportunidades de travar margens em momentos de alta e de aproveitar eventual cenário mais benigno se o aquecimento do Atlântico reduzir as perdas de produtividade.

Fontes

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