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Vendas de alimentos sobem após restrição às bets, diz Abras

Varejo alimentar cresceu 6,5% na primeira semana de outubro, com avanço concentrado em produtos básicos como arroz, óleo, macarrão e café.

29 de outubro de 2026 4 min de leitura
Vendas de alimentos sobem após restrição às bets, diz Abras

As vendas do varejo alimentar cresceram nas duas primeiras semanas completas de outubro, após a publicação da medida que restringiu as apostas on-line no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a alta foi de 6,5% entre 5 e 11 de outubro e de 6,3% entre 12 e 18 de outubro, na comparação com os mesmos períodos do ano anterior. O movimento foi mais forte em produtos essenciais.

O que aconteceu

O levantamento da Abras considera supermercados, atacarejos, mercearias e outros formatos do varejo alimentar. O avanço apareceu principalmente em itens básicos da cesta de consumo, como arroz, óleo, macarrão e café.

A entidade relaciona o resultado à redução dos gastos das famílias com apostas esportivas e jogos on-line. A Medida Provisória nº 1.394/2026 foi publicada em 25 de setembro, e as plataformas começaram a ser retiradas do ar em 6 de outubro, conforme informações divulgadas sobre a medida.

A Abras também citou dados do Banco Central indicando queda imediata de 10% nas transações via Pix depois da restrição às bets. Posteriormente, a redução teria recuado para 7%. Esses dados ajudam a dimensionar a mudança nos meios de pagamento, mas não comprovam, isoladamente, que o dinheiro deixou de ser usado em apostas e foi direcionado para alimentos.

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Por que importa para o agro

O aumento das compras de alimentos melhora a demanda na ponta da cadeia e pode ampliar a movimentação de indústrias, distribuidores e produtores. Produtos como arroz, café, óleo e massas dependem de matérias-primas agrícolas e de uma rede extensa de processamento, armazenagem e transporte.

Para o produtor, o efeito mais relevante seria a sustentação do consumo doméstico. Uma demanda maior pode favorecer o escoamento de estoques e dar suporte aos preços recebidos, embora o resultado dependa da oferta, das importações, dos custos e da renda das famílias.

O impacto ainda não deve ser tratado como permanente. Vendas semanais podem variar por calendário, promoções, inflação, clima, renda e mudanças no comportamento do consumidor. Também é necessário separar aumento de volume vendido de alta nominal provocada por preços maiores.

Dados e contexto

IndicadorResultado
Varejo alimentar, 5 a 11 de outubroAlta de 6,5% sobre 2025
Varejo alimentar, 12 a 18 de outubroAlta de 6,3% sobre 2025
Produtos mais citadosArroz, óleo, macarrão e café
Transações via Pix após a restriçãoQueda inicial de 10%, segundo a Abras
Instituição responsável pelo levantamentoAssociação Brasileira de Supermercados

Os números mostram coincidência temporal entre a restrição às apostas e o avanço do consumo alimentar. Ainda não há, porém, comprovação estatística de uma relação direta de causa e efeito. Para confirmar a tendência, será preciso acompanhar novas semanas, volumes físicos, preços e diferentes faixas de renda.

O que observar daqui pra frente

O mercado deve monitorar se o crescimento se mantém após o efeito inicial da medida. A continuidade da alta pode fortalecer a demanda por matérias-primas agrícolas e melhorar o giro no varejo. Já uma reversão indicaria influência de fatores pontuais, como promoções, calendário ou recomposição de compras. Produtores e empresas da cadeia devem acompanhar volumes, preços e estoques antes de ampliar decisões de oferta.

Fontes

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