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Veterinário critica veto da União Europeia e cobra comprovação técnica

Especialista em sanidade aponta falhas de comprovação e pede reação coordenada do Brasil ao veto da União Europeia às carnes e produtos de origem animal.

13 de junho de 2026 4 min de leitura
Veterinário critica veto da União Europeia e cobra comprovação técnica

O veto da União Europeia à importação de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil gerou forte reação no meio técnico. Em entrevista ao Canal Rural, um médico-veterinário especialista em sanidade afirmou que "o grande ponto que faltou foi comprovar" os riscos alegados pelo bloco europeu, e defendeu uma resposta coordenada entre governo e setor produtivo para reverter a medida.

O que aconteceu

A União Europeia decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina e outros produtos de origem animal para o bloco a partir de setembro, alegando preocupações sanitárias e regulatórias.[4][6] Segundo o veterinário ouvido pelo Canal Rural, a decisão foi tomada sem apresentação clara de evidências técnicas que justifiquem o veto nesse nível de gravidade.

O especialista argumenta que o Brasil já dispõe de um dos mais robustos sistemas oficiais de inspeção e controle sanitário do mundo, com atuação integrada de Ministério da Agricultura (MAPA), serviços veterinários estaduais e setor privado.[2] Para ele, a UE elevou o nível de exigência sem demonstrar falhas concretas e generalizadas que comprometam a segurança dos produtos brasileiros.

Outro ponto levantado é que o debate ficou centrado em discursos políticos, enquanto deveria estar baseado em dados de rastreabilidade, histórico de ocorrências sanitárias e auditorias oficiais. O veterinário defende que o Brasil cobre da UE os relatórios técnicos completos que embasaram o veto e apresente, em contrapartida, seus próprios indicadores de conformidade.

Por que importa para o agro

O bloco europeu é um dos mercados mais relevantes para a carne bovina e produtos de alto valor agregado do Brasil, especialmente cortes premium e produtos processados. O veto tende a pressionar preços internos, redirecionar oferta para outros destinos e afetar margens da indústria frigorífica e do produtor.

Para o pecuarista, o risco é duplo: perda de mercado de longo prazo e aumento de custos para atender novas exigências sem garantia de acesso.[4] Os frigoríficos que investiram pesado em certificações e adequações ao padrão europeu podem ver contratos suspensos ou renegociados em condições menos favoráveis.

Dados e contexto

  • A União Europeia figura entre os principais destinos da carne bovina brasileira, ao lado de China e países do Oriente Médio, segundo dados de exportação do MAPA e da Abiec.
  • O Brasil mantém status de livre de febre aftosa com vacinação reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH, antiga OIE) em praticamente todo o território, e livre sem vacinação em áreas específicas.
  • O Serviço de Inspeção Federal (SIF), ligado ao MAPA, fiscaliza 100% dos abates em plantas habilitadas à exportação.
  • Auditorias europeias anteriores já haviam apontado necessidade de ajustes em rastreabilidade e controles, mas reconheceram avanços na estrutura de defesa agropecuária brasileira.[2]
Ponto-chaveSituação do Brasil
Status sanitário geralReconhecido pela WOAH para principais enfermidades de impacto no comércio
Sistema de inspeçãoCobertura nacional via SIF, com apoio de serviços estaduais
RastreabilidadeAvanços em programas privados e exigências específicas por mercado
Dependência da UERelevante em valor agregado, menor em volume total frente à Ásia

O veterinário destaca que, em disputas comerciais, questões técnicas muitas vezes se misturam a disputas regulatórias e pressões internas de produtores europeus. Por isso, defende que o Brasil trate o caso com forte embasamento científico, uso de dados oficiais da Embrapa, MAPA e organismos internacionais, e atuação diplomática firme.

O que observar daqui pra frente

O setor deve acompanhar de perto as negociações entre governo brasileiro e União Europeia, especialmente a possibilidade de revisão da decisão à luz de novos relatórios técnicos. Produtores e indústria precisam mapear o impacto contrato a contrato, avaliar alternativas de mercado e, ao mesmo tempo, reforçar rastreabilidade, bem-estar animal e transparência nos dados sanitários. A capacidade do Brasil de comprovar, com números, a segurança e a conformidade de sua produção será decisiva para reabrir portas e reduzir o risco de novos embargos em outros destinos.

Fontes

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