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Xi Jinping defende relação estável com Trump em meio a disputa comercial

Encontro entre Xi Jinping e Donald Trump sinaliza tentativa de reduzir conflitos, mas mantém incertezas para o comércio agrícola global.

25 de setembro de 2026 4 min de leitura
Xi Jinping defende relação estável com Trump em meio a disputa comercial

O presidente chinês Xi Jinping defendeu uma relação sem conflitos com Donald Trump durante reunião na Casa Branca, realizada em 24 de setembro. O encontro sinalizou disposição para reduzir tensões entre China e Estados Unidos, mas não eliminou as divergências comerciais. Para o agronegócio, o principal ponto de atenção está no futuro das compras chinesas de soja e em seus efeitos sobre preços, prêmios e exportações brasileiras.

O que aconteceu

Xi afirmou que os interesses de China e Estados Unidos são profundamente interligados e que os dois países devem buscar uma relação estável. Trump também adotou tom conciliador e mencionou uma relação comercial mais equilibrada, com abertura de mercados para agricultores e pecuaristas norte-americanos.[1]

A aproximação ocorre após períodos de conflito tarifário que alteraram o fluxo internacional de commodities. Durante a disputa, a China reduziu as compras de soja dos Estados Unidos e ampliou a participação do Brasil no abastecimento do mercado chinês.[2]

O encontro não representa, por si só, um acordo definitivo. Tarifas, acesso a mercados, tecnologia, Taiwan e compromissos de compra continuam entre os temas capazes de gerar novas negociações ou retrocessos.

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Por que importa para o agro

A China é o principal destino da soja brasileira. No primeiro semestre de 2025, o país asiático comprou 48,5 milhões de toneladas do Brasil, volume equivalente a quase 75% das exportações brasileiras da oleaginosa no período.[3] Qualquer mudança na política comercial entre Washington e Pequim pode alterar a divisão da demanda entre Brasil e Estados Unidos.

Uma retomada mais forte das compras chinesas de soja norte-americana tende a aumentar a concorrência com o produto brasileiro. Isso pode pressionar prêmios de exportação, bases regionais e margens dos produtores, principalmente durante a janela de oferta dos Estados Unidos. Por outro lado, novas tensões podem manter a China concentrada no Brasil e sustentar a demanda pelos embarques nacionais.

Dados e contexto

  • A China respondeu por cerca de 71% das importações totais de soja do Brasil em 2024, segundo avaliação do USDA.[4]
  • Entre janeiro e junho de 2025, o Brasil exportou 48,5 milhões de toneladas de soja para a China, avaliadas em aproximadamente US$ 19 bilhões.[3]
  • No segundo trimestre de 2025, os embarques brasileiros para a China somaram 31,5 milhões de toneladas, alta de quase 4% ante o mesmo período de 2024.[3]
  • Em 2025, a China suspendeu compras relevantes de soja dos Estados Unidos por vários meses e direcionou parte da demanda para o Brasil.[2]
  • A tarifa de nação mais favorecida aplicada pela China à soja brasileira é de 3%. Em períodos de disputa, a carga sobre o produto norte-americano foi maior.[2]
A concentração das exportações brasileiras em um único destino amplia a exposição do setor. O câmbio, os estoques chineses, o frete e o ritmo de esmagamento também influenciam os preços, além das decisões políticas de Washington e Pequim.

O que observar daqui para frente

Produtores e empresas devem acompanhar anúncios sobre tarifas, cotas, compromissos de compra e regras sanitárias. Uma reaproximação pode devolver competitividade à soja norte-americana; uma nova escalada tende a favorecer o Brasil no curto prazo. A oportunidade está na demanda chinesa, mas o risco é depender excessivamente de um único mercado e de decisões tomadas fora do país.

Fontes

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