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Yara sente impacto da guerra no Irã e alerta para risco global nos fertilizantes

Conflito no Irã derruba volumes da Yara, dispara preços de fertilizantes e acende alerta para oferta de alimentos e custos do produtor.

21 de julho de 2026 4 min de leitura
Yara sente impacto da guerra no Irã e alerta para risco global nos fertilizantes

A guerra no Irã chegou com força ao mercado de fertilizantes e já mexe com os resultados da Yara, uma das maiores fabricantes do mundo. O fechamento parcial do Estreito de Ormuz encareceu o gás natural e travou o fluxo de nutrientes, derrubando volumes, pressionando margens e aumentando o risco de falta de adubos — com reflexo direto na produção de alimentos e nos custos do produtor rural.[1][3][4]

O que aconteceu

O conflito envolvendo EUA, Israel e Irã restringiu o trânsito pelo Estreito de Ormuz, rota crítica para gás natural e insumos usados na produção de fertilizantes nitrogenados.[4][8] Essa quebra na logística elevou rapidamente os preços do gás e dos fertilizantes, redesenhando a conta da indústria e dos agricultores.

No balanço recente, a Yara reportou queda de 17% nas entregas no trimestre, ligada à disparada dos preços do nitrogênio e à maior cautela dos compradores.[1] Ao mesmo tempo, a empresa registrou margens maiores em alguns segmentos, reflexo do repasse de preços em um mercado mais apertado.[1][4]

Svein Tore Holsether, CEO da Yara, afirmou à BBC e à CNN que a guerra já tirou cerca de meio milhão de toneladas de fertilizantes nitrogenados da produção global, com risco de perda de até 10 bilhões de refeições por semana por falta de adubo.[2][3][6][11] O executivo associa diretamente a escalada geopolítica à insegurança alimentar, principalmente nos países mais pobres.

Por que importa para o agro

Para o produtor, o efeito imediato é um fertilizante mais caro e volátil, em especial ureia e outros nitrogenados, somado à incerteza sobre disponibilidade para futuras safras.[7][8] Em um cenário de margens apertadas, qualquer alta rápida de insumos pode levar à redução de doses ou ao adiamento de compras, com impacto na produtividade.

No médio prazo, a combinação de menor uso de fertilizantes e oferta ajustada de alimentos tende a sustentar preços agrícolas mais altos, mas com maior risco de fome e insegurança alimentar em países vulneráveis.[2][5][11][12] Para o Brasil, grande importador de fertilizantes, o desafio é gerenciar custo e risco logístico sem comprometer o pacote tecnológico que garante produtividade recorde nas principais culturas.

Dados e contexto

Alguns números ajudam a dimensionar o quadro:

  • Preço dos fertilizantes subiu cerca de 80% desde o início do conflito no Irã, segundo declarações da Yara.[2]
  • Produção global de nitrogenados já perdeu cerca de 0,5 milhão de toneladas pela crise logística e de energia.[2][6]
  • Estimativa da Yara: risco de 10 bilhões de refeições por semana deixarem de ser produzidas por falta de adubo.[3][6]
  • A Yara registrou lucro ajustado de US$ 896 milhões no 1º tri, alta de 40% ano a ano, impulsionada por preços mais elevados.[4]
  • No mercado internacional, a ureia saltou de US$ 500 para US$ 700 por tonelada, aumento de cerca de US$ 100 por tonelada em poucos dias, com forte volatilidade.[7]
  • Consultoria StoneX relata alta de cerca de 50% na ureia, 14% no MAP e 3% no KCl desde o início da guerra.[8]
  • Programa Mundial de Alimentos da ONU projeta até 45 milhões de pessoas em fome aguda ligada aos efeitos do conflito no Oriente Médio.[11]
IndicadorSituação após início da guerra

| Ureia internacional | +50% no preço[7][8] | | Produção global de N | -0,5 milhão t[2][6] | | Refeições em risco/semana | quase 10 bilhões[3][6] | | Entregas da Yara (trimestre) | -17%[1] |

O que observar daqui pra frente

O produtor e a indústria devem acompanhar três frentes: desdobramentos militares no Estreito de Ormuz, que podem agravar ou aliviar a crise logística; movimentos de preço do gás natural e dos principais fertilizantes, que definem o custo de produção; e respostas de governos e empresas em termos de estoques, diversificação de fornecedores e estímulo a eficiência no uso de adubos. Em um cenário ainda incerto, planejamento de compras, gestão de risco de preço e atenção às recomendações técnicas serão decisivos para proteger margem e garantir produtividade.

Fontes

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