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Abiec considera inaceitável prazo de dois anos para retomada da carne na UE

Entidade critica previsão europeia de dois anos para o retorno da carne bovina brasileira e defende transição nas regras de controle de antimicrobianos.

03 de outubro de 2026 4 min de leitura
Abiec considera inaceitável prazo de dois anos para retomada da carne na UE

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) classificou como inaceitável a previsão de que o Brasil leve até dois anos para retomar os embarques de carne bovina à União Europeia. A estimativa foi apresentada em audiência no Parlamento Europeu e pode prolongar os efeitos do bloqueio sobre frigoríficos, pecuaristas e exportadores.

O que aconteceu

A suspensão dos embarques brasileiros para o bloco começou em 3 de setembro de 2026. A medida está relacionada a falhas apontadas no controle do uso de antimicrobianos, incluindo substâncias restritas pelas regras europeias para uso humano ou para promoção de crescimento animal.

Durante audiência na Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, Eric Thévenard, chefe de auditorias da autoridade sanitária europeia, afirmou que a retomada poderia exigir o acompanhamento de todo o ciclo de vida dos animais. Como o ciclo do gado pode durar cerca de dois anos, a previsão europeia empurra uma possível normalização para 2028.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, contestou esse prazo. A entidade defende que o Brasil adote uma solução de transição baseada em controles e certificações capazes de comprovar a conformidade dos animais e dos produtos exportados sem esperar o ciclo completo do rebanho.

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Por que importa para o agro

A União Europeia é um mercado de alto valor para a carne bovina brasileira. De janeiro a julho de 2026, as exportações ao bloco somaram 63,7 mil toneladas, com receita de US$ 562,2 milhões e preço médio de US$ 8.823 por tonelada. A interrupção reduz o acesso a compradores que remuneram cortes e padrões específicos.

Para os frigoríficos, o bloqueio exige redirecionamento de volumes para outros destinos, com possível pressão sobre preços e margens. Para o produtor, o impacto tende a aparecer na formação do preço do boi caso a indústria reduza a demanda por animais destinados ao mercado europeu ou aumente a dependência de mercados com menor valor agregado.

Dados e contexto

  • 3 de setembro de 2026: início da suspensão dos embarques de carnes brasileiras para a União Europeia.
  • 63,7 mil toneladas: volume de carne bovina exportado ao bloco entre janeiro e julho de 2026.
  • US$ 562,2 milhões: receita obtida pelo Brasil com essas vendas no período.
  • US$ 8.823 por tonelada: preço médio da carne bovina exportada à UE.
  • Até dois anos: prazo estimado por autoridade europeia para a retomada, considerando o ciclo de produção do gado.
A Abiec afirma que o setor exportador já aderiu a um protocolo de controle de antimicrobianos e que garantias oficiais foram apresentadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A divergência está no reconhecimento dessas medidas pela União Europeia e na possibilidade de aplicação de um período de adaptação.

O episódio também amplia a pressão por rastreabilidade individual e controle documental na pecuária. A exigência europeia pode acelerar investimentos em identificação animal, registros sanitários e integração entre fazendas, frigoríficos e órgãos de fiscalização.

O que observar daqui pra frente

O principal ponto será a resposta da União Europeia ao protocolo brasileiro e ao pedido de transição defendido pela Abiec. A reinclusão do Brasil na lista de países autorizados pode ocorrer antes da retomada efetiva das vendas, mas a liberação dos embarques dependerá da aceitação dos controles e da definição de regras para animais já criados no sistema brasileiro.

Fontes

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