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Acordo entre Trump e Xi reduz riscos imediatos para o agro brasileiro

Entendimento entre Estados Unidos e China deve preservar a demanda chinesa, mas pode limitar ganhos extraordinários para a soja brasileira.

28 de setembro de 2026 4 min de leitura
Acordo entre Trump e Xi reduz riscos imediatos para o agro brasileiro

O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping diminuiu a tensão comercial entre Estados Unidos e China, mas não altera, por enquanto, a posição estratégica do Brasil no mercado agrícola. O país continua como principal fornecedor de soja para os chineses, embora possa perder parte do ganho extra obtido durante a disputa entre as duas potências.

O que aconteceu

Trump e Xi retomaram o diálogo comercial e sinalizaram uma trégua nas relações entre Washington e Pequim. O entendimento inclui a continuidade das compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos, reduzindo a possibilidade de uma nova escalada tarifária.

A China já voltou a adquirir volumes relevantes de soja norte-americana. Segundo dados divulgados pelo USDA, empresas estatais chinesas compraram cerca de 1 milhão de toneladas da oleaginosa dos Estados Unidos em setembro. O movimento mostra que Pequim pretende manter fornecedores diversificados.

Mesmo com a reaproximação, a dependência chinesa do Brasil permanece elevada. A produção brasileira chega ao mercado em período diferente da safra norte-americana e oferece escala, competitividade logística e disponibilidade para grandes embarques.

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Por que importa para o agro

A China é o principal destino dos produtos agrícolas brasileiros. Em 2025, respondeu por 32,7% das exportações do agronegócio, com compras estimadas em US$ 55 bilhões. Os Estados Unidos ficaram em terceiro lugar, com US$ 11,4 bilhões e participação de 6,7%.

Para o produtor de soja, a trégua entre Washington e Pequim reduz o risco de uma ruptura no comércio internacional, mas também diminui a chance de o Brasil capturar sozinho a demanda chinesa. Caso os Estados Unidos recuperem participação, os prêmios pagos pela soja brasileira podem recuar em algumas janelas de comercialização.

O impacto tende a ser gradual. A China precisa distribuir suas compras ao longo do ano, e o Brasil deve colher uma safra recorde. A Conab estima 181,64 milhões de toneladas de soja na temporada 2026/27, com exportações próximas de 117,98 milhões de toneladas.

Dados e contexto

IndicadorDado
Participação da China nas exportações do agro brasileiro em 202532,7%
Compras chinesas do agro brasileiro em 2025US$ 55 bilhões
Participação dos EUA nas exportações do agro brasileiro em 20256,7%
Produção brasileira de soja estimada para 2026/27181,64 milhões de toneladas
Exportação brasileira de soja estimada para 2026/27117,98 milhões de toneladas

A Conab projeta aumento de 1,5% nos embarques brasileiros de soja, sustentado pela expectativa de manutenção das compras chinesas em níveis elevados. O USDA, por sua vez, confirmou novas vendas de soja dos Estados Unidos para a China.

A disputa comercial também afeta câmbio, fretes, prêmios de exportação e decisões de plantio. Uma redução das tarifas pode normalizar os fluxos globais, mas amplia a concorrência entre Brasil, Estados Unidos e Argentina.

O que observar daqui para frente

O produtor deve acompanhar os prêmios nos portos, o câmbio e o calendário de compras da China, além do cumprimento das metas de aquisição previstas no entendimento entre Trump e Xi. A oportunidade está na demanda estrutural chinesa; o principal risco é a recomposição da presença norte-americana no mercado, pressionando preços e margens.

Fontes

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