Mercado

Acordo Mercosul-UE amplia mercado, mas exige adaptação do agro brasileiro

Acordo pode reduzir tarifas e ampliar exportações agrícolas, mas produtores terão de atender exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade.

14 de outubro de 2026 4 min de leitura
Acordo Mercosul-UE amplia mercado, mas exige adaptação do agro brasileiro

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia cria novas oportunidades para as exportações brasileiras, especialmente em carnes, café, grãos, açúcar e frutas. A redução gradual de tarifas pode melhorar a competitividade do produto nacional, mas o acesso dependerá do cumprimento de regras sanitárias, ambientais e de rastreabilidade.

O que aconteceu

Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e União Europeia concluíram um acordo de parceria estratégica após décadas de negociação. O texto prevê a redução ou eliminação de tarifas em grande parte do comércio entre os blocos, com cronogramas específicos para produtos sensíveis.

Na área agrícola, a União Europeia deverá liberalizar 82% das importações agrícolas e oferecer acesso limitado a outros produtos por meio de cotas tarifárias. Carnes bovina e de aves, açúcar, etanol, mel e suínos estão entre os itens sujeitos a limites, salvaguardas ou períodos de transição.

O acordo também amplia a previsibilidade para empresas exportadoras. Na prática, isso pode facilitar contratos de longo prazo e estimular investimentos em processamento, logística, certificação e adequação às normas europeias.

Imagem

Por que importa para o agro

A União Europeia é um mercado de alto valor agregado e exige padrões rigorosos. A abertura pode beneficiar frigoríficos, cooperativas e agroindústrias brasileiras capazes de fornecer produtos padronizados, certificados e com origem comprovada.

Para o produtor, o efeito tende a ser indireto no início. Maior demanda externa pode melhorar os preços e estimular investimentos, mas também aumentará a pressão por qualidade, controle de resíduos, bem-estar animal, regularidade de fornecimento e comprovação de práticas ambientais.

O acordo não elimina automaticamente barreiras técnicas. Exportadores continuarão sujeitos às regras sanitárias europeias, à fiscalização de documentos e às exigências de cada cadeia. Empresas sem escala ou estrutura de conformidade podem ter dificuldade para aproveitar as preferências tarifárias.

Dados e contexto

  • O Brasil exportou US$ 21,8 bilhões em produtos agrícolas para a União Europeia em 2025, segundo o Ministério da Agricultura.
  • O valor representou 44% da pauta exportadora brasileira para o bloco.
  • Considerando o agronegócio ampliado, com celulose, couros processados e madeira, as vendas chegaram a US$ 25,2 bilhões.
  • As exportações agrícolas brasileiras para a UE cresceram de US$ 12,4 bilhões em 2016 para US$ 21,8 bilhões em 2025.
  • Entre os produtos de maior relevância estão café verde, farelo de soja, soja em grãos, carne bovina, milho e açúcar.
  • O acordo comercial alcança uma zona econômica de aproximadamente 700 milhões de pessoas.
A concentração da pauta ainda é um ponto de atenção. Café, soja e derivados respondem por parcela relevante das vendas, enquanto produtos processados e de maior valor agregado têm espaço para crescer. A diversificação pode reduzir a dependência de poucos itens e aumentar a renda gerada dentro do país.

O que observar daqui para frente

A execução será decisiva. Exportadores devem acompanhar cotas, prazos de redução tarifária, regras de origem e exigências sanitárias. Produtores interessados no mercado europeu precisarão investir em registros, rastreabilidade, gestão de resíduos e comprovação ambiental. O ganho comercial dependerá menos da assinatura do acordo e mais da capacidade de transformar preferência tarifária em entrega regular, competitiva e certificada.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo