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Agro brasileiro bate recorde de exportações em abril

Exportações do agronegócio somaram US$ 16,65 bilhões em abril, alta de 11,7%, com forte demanda chinesa e preços ainda sustentados no mercado global.

24 de maio de 2026 4 min de leitura
Agro brasileiro bate recorde de exportações em abril

As exportações do agronegócio brasileiro atingiram US$ 16,65 bilhões em abril, alta de 11,7% na comparação anual e maior valor da série histórica para o mês, iniciada em 1997. O resultado reforça a força do campo na balança comercial, em um cenário de real valorizado e custos de produção ainda elevados.

O que aconteceu

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) informou que, em abril, o agronegócio respondeu por mais da metade das vendas externas do país. A pauta foi puxada principalmente por complexo soja, carnes e açúcar, beneficiados por boa oferta interna e demanda firme no mercado internacional.

A China manteve a liderança como principal comprador do agro brasileiro. As compras do país asiático somaram US$ 6,6 bilhões, o equivalente a quase 40% de tudo o que o Brasil exportou no setor no mês. O grosso desse volume veio da soja em grão, seguida por carnes bovina e de frango.

Segundo o governo, o recorde de abril reflete tanto aumento de volume embarcado quanto preços internacionais ainda em patamar historicamente elevado para algumas commodities. Em dólar, os embarques ajudaram a compensar a queda recente das cotações em relação aos picos de 2022 e 2023.

Por que importa para o agro

Para o produtor rural, o recorde de exportações indica mercado externo ainda aquecido, o que tende a dar sustentação aos preços internos, especialmente em praças com boa logística de escoamento. Mesmo com custos de insumos pressionados, a manutenção da demanda externa é decisiva para fechar a conta da safra.

Na cadeia como um todo, o desempenho de abril reforça o papel do Brasil como fornecedor estratégico de alimentos. A concentração das vendas na China, porém, aumenta a exposição a riscos geopolíticos, sanitários e logísticos. Diversificar destinos e agregar valor aos produtos exportados seguem como desafios centrais.

Dados e contexto

Conforme dados do MAPA e de séries da Embrapa e da Conab, o movimento de abril se encaixa em uma tendência de longo prazo de expansão do agro brasileiro no comércio mundial.

Indicador (abril)Resultado aproximado
Exportações do agro**US$ 16,65 bilhões**
Crescimento anual**+11,7%**
Participação da China**US$ 6,6 bilhões (~40%)**
Início da série histórica**1997**

A soja continua como carro-chefe. Nas últimas safras, o Brasil se consolidou como maior exportador mundial, segundo o USDA, e a Conab projeta produção acima de 150 milhões de toneladas em 2025/26, mantendo elevada disponibilidade para exportação. Isso sustenta o fluxo de embarques, mesmo com oscilações climáticas regionais.

As carnes bovina, suína e de frango seguem ganhando espaço em mercados que buscam fornecedores com escala e regularidade. A manutenção do status sanitário e o controle de doenças como influenza aviária e febre aftosa são fundamentais para preservar esse canal.

O açúcar também contribuiu para o resultado, apoiado por boa safra de cana-de-açúcar e pelo redirecionamento de parte da cana das usinas para o açúcar, em função da relação de preços com o etanol. A flexibilidade do parque sucroenergético brasileiro tem sido um diferencial competitivo.

O IBGE e a Conab apontam que o agronegócio responde por cerca de 1/4 do PIB brasileiro quando se considera toda a cadeia (insumos, produção dentro da porteira, agroindústria e serviços). O desempenho externo de abril reforça essa relevância, especialmente para geração de divisas e saldo comercial.

O que observar daqui pra frente

Os próximos meses merecem atenção à evolução da demanda chinesa, à safra norte-americana e ao câmbio. A combinação entre possível recuperação de estoques globais e eventuais desacelerações econômicas pode pressionar preços internacionais. Para o produtor, planejamento de comercialização, uso de ferramentas de hedge e gestão de custos serão decisivos para aproveitar janelas de oportunidade e reduzir riscos de volatilidade.

Fontes

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