Alimentos pressionam inflação em outubro, com alta de tomate e cebola
IPCA-15 sobe 0,32% em outubro, puxado pela alimentação; tomate, cebola, batata e arroz ficaram mais caros, enquanto cenoura e café recuaram.
O IPCA-15 subiu 0,32% em outubro, informou o IBGE. A inflação desacelerou ante os 0,70% registrados em setembro, mas os alimentos ganharam força e pressionaram o orçamento das famílias. O grupo Alimentação e Bebidas avançou 0,88%, com destaque para produtos hortícolas e arroz.
O que aconteceu
A alimentação no domicílio acelerou de 0,38% em setembro para 1,01% em outubro. Tomate, cebola, batata-inglesa e arroz estiveram entre os principais responsáveis pelo movimento. O tomate subiu 24,54%, enquanto a cebola avançou 13,63% e a batata teve alta de 10,96%.
Na lista dos maiores aumentos também apareceram abobrinha, com alta de 38,29%, limão, com 17,36%, pepino, com 12,78%, e brócolis, com 10,13%. O arroz ficou 5,80% mais caro no período, ampliando a pressão sobre um item básico da cesta de consumo.
Houve produtos em queda. A cenoura recuou 10,67%, a melancia caiu 7,36% e o repolho teve baixa de 4,80%. O café moído também ficou mais barato, com redução de 1,16%. A alimentação fora do domicílio subiu 0,56%, acima dos 0,44% de setembro.
Por que importa para o agro
A alta concentrada em hortaliças indica que a inflação dos alimentos continua sensível à oferta de curto prazo. Oscilações na produção, no clima, no transporte e na disponibilidade regional podem alterar rapidamente os preços recebidos pelo produtor e pagos pelo consumidor.
Para a cadeia, o cenário cria oportunidades para produtores com oferta regular, qualidade e capacidade de comercialização em momentos de menor disponibilidade. Também aumenta a necessidade de planejamento de plantio, armazenagem e contratos, principalmente em produtos perecíveis e sujeitos a forte variação semanal.
Dados e contexto
O levantamento do IBGE considera os preços coletados entre 16 de setembro e 14 de outubro de 2026, comparados ao período de 15 de agosto a 15 de setembro.
| Produto ou grupo | Variação no IPCA-15 de outubro |
|---|---|
| Abobrinha | 38,29% |
| Tomate | 24,54% |
| Limão | 17,36% |
| Cebola | 13,63% |
| Batata-inglesa | 10,96% |
| Arroz | 5,80% |
| Cenoura | -10,67% |
| Café moído | -1,16% |
O grupo Alimentação e Bebidas teve a maior variação e o maior impacto sobre o índice, de 0,19 ponto percentual. A alta geral do IPCA-15, porém, foi parcialmente compensada por quedas em outros grupos, mantendo o resultado abaixo do registrado em setembro.
O que observar daqui para frente
A evolução dos preços dependerá da reposição das lavouras, das condições climáticas e dos custos de frete e insumos. Produtores devem acompanhar a oferta regional e as janelas de comercialização; compradores e varejistas precisam monitorar repasses. Novas altas em hortaliças e grãos podem manter a alimentação como foco de pressão sobre a inflação.
Fontes
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