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ANP revisa regras de qualidade do diesel e recebe contribuições até 12 de junho

ANP abriu consulta para revisar a Resolução 915/2023 sobre a qualidade do diesel, com participação da sociedade até 12 de junho, e impacto direto no transporte e no agro.

03 de junho de 2026 4 min de leitura
ANP revisa regras de qualidade do diesel e recebe contribuições até 12 de junho

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) abriu até 12 de junho o prazo para envio de contribuições sobre a revisão da Resolução 915/2023, que define especificações do óleo diesel comercializado no país. A consulta mira ajustes técnicos em parâmetros de qualidade e métodos de ensaio, com reflexos diretos em custo, disponibilidade e desempenho do combustível usado no transporte de cargas e na frota agrícola.

O que aconteceu

A Resolução ANP 915/2023, em vigor desde o ano passado, estabeleceu novas regras para a qualidade do diesel vendido em todo o território nacional, incluindo limites de enxofre, características físico-químicas e requisitos para misturas com biodiesel.

Agora, a agência colocou em discussão proposta de revisão desses critérios, ouvindo indústria de petróleo, distribuidoras, fabricantes de veículos e sociedade em geral. O objetivo é atualizar especificações, corrigir pontos críticos identificados na aplicação da norma e alinhar exigências a padrões internacionais.

O prazo para contribuições vai até 12 de junho, por meio de sistema eletrônico da ANP, com posterior realização de audiência pública. Depois disso, a diretoria da agência deve deliberar sobre a versão final da norma, que pode manter, flexibilizar ou endurecer requisitos.

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Por que importa para o agro

O diesel é o principal item de custo da logística do agronegócio, afetando o frete rodoviário de grãos, carnes, insumos e produtos industrializados, além de abastecer tratores, colheitadeiras e caminhões da fazenda à exportação. Qualquer mudança que afete preço, consumo por quilômetro, confiabilidade mecânica ou disponibilidade regional do combustível impacta diretamente a competitividade do produtor.

Especificações mais rígidas podem elevar custos de refino e mistura, pressionando o preço final nas bombas. Por outro lado, um combustível mais estável e limpo tende a reduzir falhas em motores, melhorar eficiência e diminuir paradas não planejadas em plena safra. O equilíbrio entre exigência técnica e viabilidade econômica é o ponto-chave deste debate para o agro.

Dados e contexto

  • O Brasil adota hoje percentual obrigatório de biodiesel misturado ao diesel A (mistura B), definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com metas de aumento gradual nos próximos anos.
  • Ajustes na especificação do diesel podem exigir mudanças em:
- Formulação de aditivos - Controle de estabilidade oxidativa - Limites de contaminantes que afetam sistemas de injeção eletrônica
  • Em safras recordes, como vem apontando a Conab nos últimos anos, o consumo de diesel no transporte de grãos cresce fortemente, pressionando infraestrutura e custos de frete.
  • Para montadoras de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, parâmetros como teor de enxofre, lubricidade e estabilidade são fundamentais para a durabilidade de motores Euro 5 e Euro 6.
Uma síntese do cenário pode ser vista assim:
Ponto em debatePossível efeito no agro
Rigor de especificação do dieselPode aumentar custo, mas reduzir quebras de motor
Regras para mistura com biodieselAfetam estabilidade do combustível em regiões quentes e úmidas
Métodos de ensaio e controleImpactam logística de distribuidoras e oferta regional
Prazos de adaptaçãoDefinem tempo para indústria e transportadores se adequarem

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e transportadores devem acompanhar o desfecho da revisão da Resolução 915/2023 e participar do processo sempre que possível, via entidades de classe. Mudanças nas regras podem alterar a estratégia de contratação de frete, a negociação de preço com transportadoras e até a renovação de frota agrícola e rodoviária, em especial em regiões onde o custo do diesel já é fator crítico para a margem do produtor.

Fontes

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