Mercado

Argentina pressiona por mais abertura e flexibilidade no Mercosul

Governo Milei quer flexibilizar regras do Mercosul para viabilizar acordos comerciais individuais, o que pode mexer com tarifas, concorrência e mercados do agro.

30 de julho de 2026 5 min de leitura
Argentina pressiona por mais abertura e flexibilidade no Mercosul

A Argentina, sob o governo de Javier Milei, vem defendendo uma profunda abertura comercial e maior flexibilidade nas regras do Mercosul, inclusive para permitir acordos bilaterais fora do bloco.[1][2][3][4] A proposta mira dar mais autonomia a cada país para buscar mercados e condições mais vantajosas, o que pode redesenhar tarifas, fluxo de comércio e a competitividade do agro na região.[1][2][3]

O que aconteceu

Em diferentes discursos e reuniões do Mercosul, Milei e sua equipe têm criticado o bloco como uma espécie de “cortina de ferro” ou “prisão” econômica, ao limitar a liberdade dos países em negociar com terceiros.[1][11][12] A Argentina quer um regime em que cada membro possa fechar os acordos comerciais que considerar “convenientes” para seus interesses, sem ficar preso ao consenso obrigatório entre os quatro sócios.[3][8][10]

A chanceler argentina Diana Mondino e outros representantes propuseram que, se não houver acordo para negociar em conjunto em determinado prazo, os países interessados possam avançar individualmente ou em grupos menores, com possibilidade de adesão posterior dos demais.[8] Paralelamente, o ministro da Economia Luis Caputo afirma que há hoje mais disposição dentro do Mercosul para “modernizar” o bloco e torná-lo menos rígido, preservando o bloco, mas com mais espaço para acordos próprios.[9]

A Argentina também tem usado acordos bilaterais recentes, como o firmado com os Estados Unidos, para sustentar que tais iniciativas são compatíveis com as normas atuais do Mercosul e, ao mesmo tempo, reforçam o debate sobre flexibilização.[5][6][13] Na prática, Buenos Aires pressiona por regras que consolidem essa autonomia comercial, mesmo que isso gere atritos com parceiros como o Brasil.[2][7]

Por que importa para o agro

Para o produtor e as empresas do agro, uma maior abertura comercial e acordos bilaterais podem significar novos mercados, redução de tarifas e chegada mais rápida a compradores estratégicos de grãos, carnes e produtos industrializados.[3][4][9] Se a Argentina conseguir avançar em acordos com grandes importadores, pode ganhar competitividade frente ao Brasil em soja, milho, trigo, carne bovina e derivados, pressionando preços e margens na região.

Por outro lado, uma flexibilização assimétrica tende a aumentar a concorrência intrabloco e ampliar o risco de desvio de comércio, com cargas saindo de países com acordos mais agressivos e entrando em mercados que antes eram divididos.[10][13] Para o agro brasileiro, isso pode exigir ajustes em estratégia comercial, logística e posicionamento em negociações futuras, além de reforçar a importância de acompanhar de perto mudanças na Tarifa Externa Comum (TEC) e em regras de acesso a mercados.

Dados e contexto

O Mercosul foi criado em 1991 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai como união aduaneira com tarifa externa comum e negociação conjunta com terceiros.[9][10]

A proposta atual argentina mira três pilares:

  • Mais autonomia para que cada país firme acordos bilaterais de livre comércio sem consenso pleno.[2][3][8]
  • Maior abertura da TEC e revisão de regras consideradas protecionistas.[1][4][10]
  • Modernização institucional para evitar perda de relevância do Mercosul no comércio global.[9][13]
Hoje, o Brasil costuma ser visto como mais rígido na defesa da negociação conjunta e da TEC, enquanto o Uruguai é o principal defensor histórico da flexibilização, agora apoiado pela mudança de postura argentina.[8][9][10] Analistas apontam que, sem algum grau de abertura, o bloco corre risco de perder espaço para outros acordos regionais e bilaterais que vêm avançando mais rápido em América Latina, Europa e Ásia.[9][13]

Para o agro, dados de fluxos de exportação monitorados por instituições como Conab e USDA mostram que Brasil e Argentina disputam fatias semelhantes em grãos e proteínas em mercados como China, UE e países árabes. Qualquer mudança nas tarifas ou acesso preferencial tende a deslocar volumes entre os fornecedores, com impacto direto na renda do produtor e na indústria de processamento.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e tradings devem acompanhar as próximas reuniões do Mercosul, onde se discutem flexibilização da TEC e regras para acordos individuais, além de eventuais avanços da Argentina em novos pactos bilaterais.[8][10][13] Há oportunidades em maior abertura de mercados e redução de barreiras, mas também riscos de perda de competitividade se o Brasil ficar para trás em novos acordos, exigindo atuação coordenada entre governo, entidades do agro e empresas para defender acesso equilibrado aos principais destinos das exportações.

Fontes

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