Mercado

Atividade mais fraca reabre espaço para corte da Selic

Desaceleração da economia e inflação sob controle reforçam a aposta do mercado em novo corte da Selic, com impacto direto no crédito rural e nos custos do produtor.

18 de agosto de 2026 4 min de leitura
Atividade mais fraca reabre espaço para corte da Selic

A economia brasileira mostra perda de fôlego, com indicadores de atividade mais fracos e inflação em trajetória benigna. Essa combinação aumenta a confiança do mercado em novos cortes da taxa Selic, o que pode aliviar o custo do crédito, inclusive no campo, mas também sinaliza um crescimento mais lento à frente.

O que aconteceu

Dados recentes de atividade apontam desaceleração: a prévia do PIB medida pelo IBC-Br recuou em torno de 0,6% em junho, queda maior do que o esperado por economistas. O resultado confirma um quadro de economia mais fraca, pressionada por juros altos e famílias endividadas.

Ao mesmo tempo, os índices de inflação vieram abaixo das projeções, com leituras consideradas “benignas” pelo mercado. A combinação de menor pressão inflacionária e atividade moderada tem sido lida como sinal de que o Banco Central ainda possui espaço técnico para prosseguir com o ciclo de cortes da Selic.

Relatórios de bancos e casas de análise falam em chance elevada de corte adicional de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, com parte do mercado já projetando Selic abaixo dos atuais 14% ao ano até o fim de 2026. Há, porém, divergência sobre o ritmo: alguns analistas defendem apenas mais um corte residual, enquanto outros enxergam espaço para queda um pouco maior.

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Por que importa para o agro

Para o produtor rural, Selic mais baixa tende a reduzir o custo de capital de giro, investimentos e alongamento de dívidas, especialmente nas linhas de crédito atreladas a taxas pós-fixadas. Programas oficiais do Plano Safra, definidos pelo MAPA e pelo Tesouro Nacional, também costumam ser calibrados a partir do nível dos juros básicos.

Por outro lado, a mesma desaceleração da economia que abre espaço para reduzir a Selic pode limitar a demanda por alimentos processados, proteína animal e produtos de maior valor agregado. Isso afeta a indústria de transformação ligada ao agro e pode moderar o crescimento do consumo doméstico, mesmo com juros um pouco menores.

Dados e contexto

  • O IBC-Br, divulgado pelo Banco Central, apontou queda próxima de 0,6% em junho na comparação mensal, reforçando a leitura de desaceleração.
  • Projeções de mercado citadas em relatórios e na pesquisa Focus indicam, em média, mais um corte de 0,25 p.p. na Selic ainda em 2026, com parte dos analistas trabalhando com taxa entre 13,25% e 13,75% ao ano no fim do período.
  • Economistas de grandes bancos destacam que a perda de ritmo da atividade vem acompanhada de melhora consistente dos índices de preços, abrindo margem para afrouxamento monetário sem desancorar as expectativas de inflação.
  • Para o agro, levantamento da Conab e da Embrapa mostra que o custo financeiro pesa de forma relevante na composição de custo de culturas intensivas em tecnologia, como soja, milho safrinha e cana, o que torna a trajetória da Selic peça-chave da competitividade.
Indicador chaveNível ou movimento recente
IBC-Br (prévia do PIB)Queda em torno de **0,6%** em junho
Selic atual**14,0% ao ano** (referência de mercado)
Aposta majoritária do mercadoCorte de **0,25 p.p.** na próxima reunião
Cenário provável para fim de 2026Selic entre **13,25% e 13,75%** ao ano

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar de perto as próximas decisões do Copom, as projeções de inflação e os relatórios de instituições como Banco Central e Focus. Um corte adicional da Selic pode ser oportunidade para renegociar dívidas, ajustar o mix entre recursos controlados e livres e antecipar investimentos estratégicos, sempre avaliando o risco de um ciclo de crescimento mais fraco e possíveis oscilações de demanda e de preços agrícolas.

Fontes

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