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Atraso na entrega de diesel preocupa produtores do RS no plantio de verão

Restrições na entrega de diesel no Rio Grande do Sul coincidem com o início do plantio de verão e podem reduzir área semeada e produtividade.

12 de setembro de 2026 4 min de leitura
Atraso na entrega de diesel preocupa produtores do RS no plantio de verão

Produtores rurais do Rio Grande do Sul relatam restrições e atrasos na entrega de óleo diesel em um momento decisivo: o início do plantio da safra de verão. A Federação da Agricultura do Estado (Farsul) alerta que a falta de combustível pode comprometer a janela ideal de semeadura, reduzir área plantada e afetar diretamente a produtividade, em um ano em que o setor ainda busca se recompor de perdas anteriores.[1][7]

O que aconteceu

A Farsul voltou a receber relatos de produtores de diferentes regiões do estado sobre atrasos, cancelamentos e restrições na entrega de cargas de diesel previamente agendadas. O problema ocorre justamente quando as máquinas deveriam entrar em campo para o plantio de soja, milho e demais culturas de verão.[1][7]

Segundo o presidente da entidade, Domingos Velho Lopes, o plantio tem uma janela operacional limitada e não pode ser empurrado indefinidamente. Quando o combustível não chega, o produtor é obrigado a reduzir o ritmo das operações, ajustar o planejamento e, em casos mais críticos, deixar áreas sem semear.[1]

A entidade lembra que situação semelhante já havia sido registrada no início do ano, durante a colheita de arroz e soja, quando produtores relataram interrupção de trabalhos e reagendamentos sucessivos de entregas por parte dos Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs), responsáveis pelo abastecimento direto nas propriedades.[2][3][6]

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Por que importa para o agro

Sem diesel, o produtor não consegue manter plantio, tratos culturais e colheita no ritmo necessário. Cada dia de máquina parada em um período crítico aumenta o risco de perder o melhor momento de semear, o que pode resultar em queda de produtividade, maior exposição a riscos climáticos e dificuldades para cumprir janelas de plantio definidas por programas técnicos e financiamentos.[1][3]

Além da disponibilidade, o custo do combustível pesa na conta. Em episódios anteriores, produtores de arroz no estado relataram alta rápida de preço, com o litro saltando de cerca de R$ 5 para R$ 7 em poucos dias, em meio à incerteza de fornecimento. Isso encarece imediatamente o custo por hectare trabalhado, reduz margem e pressiona a competitividade do agro gaúcho frente a outras regiões.[4][5]

Dados e contexto

Relatos recentes de Farsul e de sindicatos rurais indicam um quadro que mistura restrição de entrega e insegurança de preço.[1][4][8]

IndicadorSituação reportada no RS
Entrega de diesel nas fazendasAtrasos, cancelamentos e reagendamentos por TRRs
Momento da safraInício do plantio de verão; em março, auge da colheita de soja e arroz
Impacto diretoMáquinas paradas, risco de redução de área plantada, perda de produtividade
Preço em caso recenteProdutor de arroz relatou alta de **R$ 5** para **R$ 7**/litro em poucos dias
Estoques segundo ANPAgência afirma estoques “suficientes” e produção em ritmo regular no estado

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que técnicos apuraram estoques suficientes de diesel no Rio Grande do Sul e que a produção e entrega seguem em ritmo regular pelos principais fornecedores.[2][3] A ANP tem notificado distribuidoras para detalhar volumes em estoque, pedidos recebidos e atendidos, buscando entender por que o combustível não chega às propriedades na velocidade necessária.[2]

Em comunicados anteriores, a Petrobras reforçou que suas refinarias no estado mantêm entregas dentro dos volumes programados, sem alteração de cronograma. O gargalo, segundo especialistas do setor, tende a se concentrar na relação entre distribuidoras e TRRs, muitas vezes clientes “spot”, sem contratos fixos, ficando no fim da fila de prioridades.[4]

O que observar daqui pra frente

Produtores e entidades devem acompanhar de perto três pontos: o tempo de regularização das entregas de diesel nas propriedades, a evolução dos preços ao longo da janela de plantio e eventuais posicionamentos de ANP, Petrobras e distribuidoras sobre ajustes logísticos ou contratuais. A combinação de atraso na entrega com alta de custo pode redefinir o planejamento de área e tecnologia adotada na safra de verão, exigindo mais gestão de risco de quem está dentro da porteira.

Fontes

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