Mercado

Azeite da Mantiqueira é eleito o melhor do Brasil em concurso na França

Mantikir Coratina, da Vinícola Essenza, conquista segundo lugar no Hemisfério Sul em Paris e reforça a posição do azeite brasileiro no mercado premium.

22 de setembro de 2026 4 min de leitura
Azeite da Mantiqueira é eleito o melhor do Brasil em concurso na França

O azeite Mantikir Coratina, produzido pela Vinícola Essenza na Serra da Mantiqueira, foi eleito o melhor azeite brasileiro no Olio Nuovo Days 2026, em Paris, e ficou em segundo lugar no ranking dos dez melhores azeites do Hemisfério Sul. A premiação reforça o avanço da olivicultura nacional em produtos de alto valor e posiciona o Brasil no mapa dos azeites finos.

O que aconteceu

O Olio Nuovo Days 2026 reuniu os principais azeites do Hemisfério Sul em Paris, durante evento ligado ao circuito gastronômico europeu. Nesta edição, o primeiro lugar geral ficou com um azeite chileno, e o Mantikir Coratina conquistou a segunda posição entre os dez melhores rótulos avaliados.

O rótulo é produzido na Serra da Mantiqueira, região de clima mais ameno que permite o cultivo de oliveiras em altitudes elevadas, na divisa entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.[1] O desempenho confirma a sequência de bons resultados da Vinícola Essenza, que chega ao terceiro ano consecutivo com azeites entre os melhores do Brasil na mesma competição.[1]

Segundo o produtor Herbert Sales, três azeites da casa foram premiados nesta edição, com a variedade Coratina novamente entre as primeiras colocadas e reconhecida como o principal rótulo brasileiro no concurso.[1]

Por que importa para o agro

O resultado reforça que o Brasil já consegue competir com Chile, Argentina e outros países do Hemisfério Sul no nicho de azeites extravirgens premium, segmento de maior valor agregado e margens superiores ao granel tradicional. Isso abre espaço para pequenos e médios produtores em regiões de clima favorável ao cultivo de oliveiras.

Prêmios internacionais também funcionam como selo de qualidade para acessar mercados externos e canais de alto padrão no varejo interno, como empórios, restaurantes e e-commerce especializado. Para o agro, é um sinal de diversificação de culturas em áreas de montanha e de fortalecimento da imagem do país em produtos gourmet.

Dados e contexto

O Brasil ainda é importador líquido de azeite, com consumo crescente puxado por mudanças de hábito alimentar e maior presença do produto no varejo. De acordo com o MAPA e a Conab, a produção nacional tem avançado em polos como Serra da Mantiqueira (SP/MG/RJ) e Serra Gaúcha, mas a oferta interna ainda é pequena frente ao mercado.

Nos últimos anos, azeites brasileiros têm acumulado prêmios em guias e concursos internacionais, colocando o país entre os mais reconhecidos em qualidade:

IndicadorSituação recente
Prêmios internacionais de azeites brasileiros em 2024**328** premiações, 5º país mais premiado no mundo[10]
Posição do Brasil em ranking de azeites premiadosAtrás de Itália, Espanha e outros líderes tradicionais[10]
Origem dos principais azeites premiadosSerra da Mantiqueira (Sudeste) e Rio Grande do Sul[1][10]

No concurso Olio Nuovo Days, o Top 10 do Hemisfério Sul costuma reunir azeites da Argentina, Brasil, Chile, Peru, Uruguai e África do Sul, indicando um ambiente competitivo forte entre produtores da região.[3][8] Ter um rótulo brasileiro na segunda posição em Paris aumenta a visibilidade da olivicultura nacional nesse grupo.

A Vinícola Essenza, responsável pelo Mantikir Coratina, já vinha colecionando títulos com outros rótulos, como Mantikir Grappolo, que alcançou segundo lugar no ranking do Hemisfério Sul e foi considerado o melhor azeite do Brasil em edições anteriores.[3][4][8][11]

O que observar daqui pra frente

O desempenho do Mantikir Coratina em Paris indica espaço para expansão da olivicultura de montanha e consolidação de marcas brasileiras no mercado premium de azeites. Produtores devem acompanhar o avanço de investimentos em tecnologia de manejo, extração e padronização de qualidade, além da evolução de custos e da logística de exportação. Para o agro, a oportunidade está em transformar nichos regionais como a Mantiqueira em polos consolidados de azeite, com maior escala sem perder o foco em qualidade e diferenciação.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo