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Brasil cria protocolo para tentar reabrir mercado de carne bovina na União Europeia

Novo protocolo do MAPA busca adequar a pecuária brasileira às regras de antimicrobianos da UE e recuperar as exportações de carne bovina ao bloco.

26 de junho de 2026 4 min de leitura
Brasil cria protocolo para tentar reabrir mercado de carne bovina na União Europeia

O governo brasileiro colocou em prática um protocolo de produção de bovinos sem uso de antimicrobianos críticos para tentar reabrir o mercado de carne bovina na União Europeia, do qual o país ficou de fora após mudanças nas regras sanitárias do bloco.[1][2][3] A medida busca dar garantias adicionais de rastreabilidade e bem-estar animal, em linha com as exigências europeias, e evitar perda definitiva de um mercado de alto valor.

O que aconteceu

A União Europeia publicou regulamento que retira o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina, frango, pescado, mel e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, por considerar insuficientes as garantias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.[2][3] O Brasil foi o único país excluído na nova rodada de atualização das regras.[2][3]

Para responder à decisão, o Ministério da Agricultura (MAPA) homologou um protocolo privado para produção de bovinos livres de antimicrobianos, com adesão voluntária por parte de fazendas e frigoríficos habilitados à UE.[1][4] O modelo prevê acompanhamento integral da vida do animal, do nascimento ao abate, com registros auditáveis que comprovem a não utilização de medicamentos proibidos pelo bloco.[1]

O protocolo foi apresentado às autoridades europeias como uma ferramenta de transição para que o Brasil volte a cumprir, de forma comprovável, as exigências da legislação da UE sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.[1][2] A expectativa do governo e do setor é que, com sua adoção em escala, o país recupere o acesso ao mercado europeu, hoje suspenso para novas certificações dentro das novas regras.[1][2]

Por que importa para o agro

A UE é um mercado menor em volume que a China para a carne bovina brasileira, mas paga prêmios relevantes por cortes de maior valor e produtos com apelo sanitário e ambiental.[2][3] Perder esse destino reduz a diversificação comercial da cadeia e aumenta a dependência de poucos compradores, elevando o risco para o pecuarista e para a indústria.

A adoção do protocolo de bovinos livres de antimicrobianos tende a mudar o padrão de manejo nas fazendas que miram o mercado europeu, exigindo mais controle sanitário, gestão de dados, bem-estar animal e assistência veterinária focada em prevenção. Quem se adaptar pode capturar nichos com maior valor agregado, enquanto quem ficar fora perde competitividade nas exportações de alto padrão.

Dados e contexto

  • A UE importou cerca de US$ 1,8 bilhão em carnes brasileiras em 2023, somando bovina, de frango e outros produtos de origem animal.[2]
  • O novo regulamento europeu consolida uma lista de 92 países ou regiões autorizados a exportar ao bloco sob as regras de antimicrobianos; o Brasil não está nessa lista.[2]
  • A aplicação efetiva das novas exigências sanitárias será a partir de 3 de setembro de 2026, data que passa a restringir as certificações brasileiras para a UE e Reino Unido.[1][2][3]
  • O MAPA orientou que estabelecimentos habilitados à UE implementem controles auditáveis capazes de demonstrar cumprimento da legislação europeia sobre antimicrobianos.[1]
PontoSituação para o Brasil

| Status na lista da UE | Fora para produtos sob novas regras de antimicrobianos[2][3] | | Início da restrição | 3 de setembro de 2026[1][2][3] | | Valor das compras da UE | ~US$ 1,8 bi em carnes brasileiras em 2023[2] | | Ferramenta de reação | Protocolo de bovinos livres de antimicrobianos, adesão voluntária[1][4] |

O movimento europeu se insere numa agenda mais ampla de redução do uso de antimicrobianos na produção animal, ligada ao combate à resistência antimicrobiana e à proteção da saúde pública, tema também acompanhado por organismos como OIE e OMS. Isso tende a se espalhar para outros mercados e a pressionar exportadores a comprovar boas práticas sanitárias.

O que observar daqui pra frente

Pecuaristas e frigoríficos voltados à exportação devem acompanhar como o protocolo será implementado, quais auditorias serão exigidas e se a UE aceitará o modelo brasileiro como garantia suficiente para retomar o comércio. A velocidade de adesão das fazendas, o custo de adequação e a capacidade de rastreio podem definir quem ganhará espaço em nichos premium e quem ficará restrito a mercados menos exigentes, com menor valor agregado.

Fontes

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