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Brasil e China ampliam exportações de produtos suínos

Novo protocolo sanitário libera mais miúdos e coprodutos suínos brasileiros no mercado chinês, sem cota de importação.

29 de setembro de 2026 3 min de leitura
Brasil e China ampliam exportações de produtos suínos

Brasil e China assinaram a revisão do protocolo sanitário bilateral para ampliar a venda de produtos suínos brasileiros ao mercado chinês. O acordo autoriza novos miúdos e coprodutos, incluindo fígado, coração, rins e estômagos. A medida diversifica a pauta exportadora e pode elevar o aproveitamento econômico da produção nacional.

O que aconteceu

O protocolo foi assinado em 26 de setembro pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao. A negociação foi conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) com as autoridades sanitárias chinesas.

A lista autorizada inclui músculo suíno congelado, com ou sem osso, banha suína não refinada e diversos miúdos e coprodutos comestíveis. Entre eles estão língua, máscara, focinho, orelhas, cauda, pés, pele, cartilagem, estômago, fígado, coração, rins, diafragma e ossos.

A abertura ocorre sem cota de importação. Empresas brasileiras já habilitadas para exportar à China poderão solicitar ao Mapa a extensão de seus escopos, desde que atendam aos requisitos sanitários e documentais exigidos.

Por que importa para o agro

O acordo cria uma alternativa comercial para partes do suíno que podem ter menor valor em outros mercados. Com acesso à China, frigoríficos podem melhorar o aproveitamento da carcaça, reduzir perdas e ampliar a receita por animal abatido.

Para os produtores, o efeito tende a ocorrer por meio de maior demanda da indústria e de uma possível melhora na remuneração da cadeia. O impacto, porém, dependerá da habilitação dos estabelecimentos, da logística e da capacidade dos compradores chineses de absorver os produtos.

A medida também reduz a dependência de uma pauta concentrada em cortes tradicionais. A China já é um dos principais destinos da proteína animal brasileira, e a ampliação do protocolo reforça a importância das relações sanitárias e comerciais entre os dois países.

Dados e contexto

  • A ABPA estima que mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos brasileiros possam receber destinação comercial qualificada no mercado chinês.
  • Segundo o Mapa, a carne suína in natura exportada pelo Brasil somou US$ 2 bilhões e 799,2 mil toneladas entre janeiro e julho de 2026.
  • A Conab projeta exportações brasileiras de aproximadamente 1,58 milhão de toneladas de carne suína em 2026, alta de 6,1% sobre 2025.
  • Antes da revisão, o Brasil já podia vender à China itens como pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína.
A ampliação não representa liberação automática para todos os frigoríficos. Cada empresa deverá cumprir as exigências do protocolo e obter a extensão da habilitação junto ao Mapa.

O que observar daqui pra frente

O mercado deve acompanhar o ritmo de habilitação dos frigoríficos, os preços negociados e a reação da demanda chinesa. Também será necessário monitorar custos de frete, exigências documentais e eventuais mudanças sanitárias. Se a implementação ocorrer sem entraves, o novo protocolo pode fortalecer as exportações e aumentar o valor capturado pela suinocultura brasileira.

Fontes

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