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Brasil e Índia fecham acordo para destravar negócios e investimentos

Memorando entre ApexBrasil e indústria indiana mira US$ 20 bilhões em comércio até 2030 e abre espaço para mais agro brasileiro no mercado indiano.

28 de agosto de 2026 4 min de leitura
Brasil e Índia fecham acordo para destravar negócios e investimentos

Brasil e Índia firmaram um memorando de entendimento entre a ApexBrasil e a Confederação das Indústrias Indianas para aproximar empresas, ampliar investimentos e elevar o comércio bilateral a cerca de US$ 20 bilhões até 2030. O movimento interessa diretamente ao agronegócio brasileiro, que busca diversificar mercados e ganhar espaço em uma das economias que mais crescem no mundo.

O que aconteceu

O acordo foi assinado em Brasília, com participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e representantes da ApexBrasil e da indústria indiana. O memorando cria um canal institucional para troca de informações de mercado, promoção de feiras e missões empresariais, além de suporte à internacionalização de empresas dos dois países.

O foco está na conexão direta entre setores produtivos, com atenção especial a pequenas e médias empresas, que costumam enfrentar mais barreiras para exportar e investir no exterior. A meta declarada é destravar projetos bilaterais e elevar o fluxo de comércio e investimentos em áreas como alimentos, energia, biocombustíveis, insumos industriais e serviços.

O memorando não é um acordo tarifário, mas uma ferramenta de cooperação. Ele se soma ao Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) Brasil–Índia, já promulgado pelo governo brasileiro, que garante segurança jurídica e mecanismos de solução de controvérsias para investidores dos dois países.

Por que importa para o agro

A Índia é grande consumidora de alimentos, óleos vegetais, açúcar e etanol, além de fertilizantes e insumos agrícolas. Um canal formal de aproximação comercial abre espaço para mais proteína animal, grãos, algodão, açúcar e etanol brasileiro entrarem nesse mercado, com apoio institucional para prospecção de clientes, participação em feiras e estruturação de projetos.

Para o produtor e as cooperativas, o acordo pode significar novas frentes de demanda em períodos de pressão de preços na China ou em outros destinos tradicionais. A diversificação de mercados reduz risco, melhora a capacidade de negociação e pode apoiar investimentos em produtividade e industrialização no campo, sobretudo em cadeias com excesso de oferta interna.

Dados e contexto

Brasil e Índia vêm ampliando a cooperação econômica com instrumentos recentes:

  • ACFI Brasil–Índia: acordo de cooperação e facilitação de investimentos, firmado em 2020 e promulgado por decreto em 2025, com regras para livre transferência de recursos e proteção ao investidor.
  • Metas de comércio: governo e entidades setoriais mencionam objetivo de levar o comércio bilateral a cerca de US$ 20 bilhões até 2030, patamar superior ao atual.
  • Perfil da Índia: economia com forte crescimento, população acima de 1,4 bilhão de pessoas (dados ONU), grande importadora de energia, insumos industriais e parte dos alimentos que consome.
No agro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) já vinha discutindo com o governo indiano maior cooperação agrícola, com foco em pesquisa, segurança alimentar e comércio de produtos como feijões, óleos vegetais e etanol. Em acordos anteriores, Brasil e Índia também trataram de energia renovável e biocombustíveis, áreas nas quais o agronegócio brasileiro é protagonista.

A base institucional agora junta três pilares: promoção de exportações (ApexBrasil), facilitação de investimentos (ACFI) e negociações setoriais lideradas por MAPA e outros ministérios. Isso dá mais previsibilidade para projetos de agroindústrias, tradings, cooperativas e fundos de investimento com foco em cadeias agrícolas.

O que observar daqui pra frente

Produtores, cooperativas e indústrias devem acompanhar a agenda de missões comerciais, feiras e projetos setoriais que surgirem a partir do memorando, além de possíveis avanços em protocolos sanitários para carnes, grãos e produtos processados. Há oportunidade de ampliar vendas e atrair capital indiano para logística, armazenagem, bioenergia e industrialização de alimentos; ao mesmo tempo, é preciso atenção à concorrência de outros fornecedores globais, ao ritmo das reformas internas na Índia e às condições de financiamento para aproveitar esse novo canal de negócios.

Fontes

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