BrasilAgro fecha safra 2025/26 no vermelho sem vendas de terras
BrasilAgro encerra safra 2025/26 com prejuízo, pressionada por fretes, cana mais fraca e ausência de receita com venda de fazendas.
A BrasilAgro encerrou a safra 2025/26 com resultado negativo, somando prejuízo após trimestres seguidos de pressão sobre margens. A combinação de fretes mais caros, menor produtividade na cana-de-açúcar e ausência de receita com venda de fazendas tirou o brilho do balanço. O caso importa porque a empresa é referência em agronegócio e mercado de terras, usada como termômetro por investidores e produtores.
O que aconteceu
No primeiro trimestre da safra 2025/26, a BrasilAgro registrou prejuízo líquido de cerca de R$ 64 milhões, revertendo o forte lucro obtido no mesmo período da safra anterior, quando a companhia se beneficiou da venda de propriedades e melhor desempenho operacional.
A receita com venda de fazendas, que havia somado mais de R$ 120 milhões no início da safra passada, foi zero neste começo de ciclo, deixando o resultado dependente apenas da operação agrícola. Ao mesmo tempo, a produtividade da cana caiu, reduzindo a geração de caixa do segmento sucroenergético.
No terceiro trimestre da safra 2025/26, correspondente ao período entre janeiro e março, a empresa voltou a reportar prejuízo na casa dos R$ 14 milhões, impactada por custos logísticos mais altos e pela decisão de segurar parte das vendas de soja, em busca de preços melhores.
Com isso, o acumulado dos nove primeiros meses do ciclo ficou negativo, com prejuízo somado superior a R$ 70 milhões, segundo balanços divulgados ao mercado. Em trimestres intermediários, houve algum alívio com lucros pontuais, mas insuficientes para compensar o impacto da ausência das transações imobiliárias.
Por que importa para o agro
O desempenho fraco da BrasilAgro sinaliza que, mesmo em empresas com escala e gestão profissional, margens estão mais apertadas na safra 2025/26. Frete caro, custo financeiro elevado e produtividade irregular atingem também produtores médios e grandes, especialmente em regiões distantes dos portos.
A ausência de venda de terras mostra que o mercado imobiliário rural está menos líquido, com negociações mais demoradas e compradores mais seletivos. Para produtores que contam com a valorização da terra como parte da estratégia, o recado é claro: o ganho está mais concentrado na eficiência produtiva do que na especulação.
Dados e contexto
Nos últimos anos, a BrasilAgro construiu boa parte de sua rentabilidade combinando produção de grãos, pecuária e cana com compra e venda de fazendas, aproveitando ciclos de alta do mercado de terras.
Na safra 2024/25, a companhia havia fechado o ano com receita líquida superior a R$ 1,2 bilhão, apoiada por cerca de R$ 240 milhões em venda de propriedades rurais, além da comercialização de soja, milho, cana e gado.
Já na safra 2025/26, o quadro mudou:
| Indicador (BrasilAgro) | Safra 2025/26* |
|---|---|
| Prejuízo 1T safra | ~R$ 64 milhões |
| Prejuízo 3T safra | ~R$ 14 milhões |
| Prejuízo acumulado 9 meses | ~R$ 76 milhões |
| Receita com venda de fazendas | R$ 0 no início do ciclo |
*Aproximações a partir de dados de mercado e comunicados da empresa.
No campo, bancos como o Itaú BBA apontam margens menores para soja e milho na safra 2025/26, com recuo estimado de cerca de 7 pontos percentuais na soja e 6 pontos no milho em relação ao ciclo anterior. Isso reforça o cenário de pressão generalizada sobre a rentabilidade no grão.
Instituições como Conab e USDA vêm revisando números de produção e estoques, indicando oferta elevada de grãos em alguns momentos, o que limita reação de preços em dólar. Para o produtor brasileiro, o efeito é amplificado pelos custos internos e pela volatilidade cambial.
O que observar daqui pra frente
Produtores e investidores devem acompanhar de perto três frentes: a evolução dos custos logísticos (frete, armazenagem e portos), a liquidez do mercado de terras rurais e o desempenho de culturas como cana, que servem de diversificação de receita. A forma como empresas como a BrasilAgro ajustarem a estratégia de vendas, investimentos e alavancagem será um bom indicador de risco e oportunidade para toda a cadeia.
Fontes
- AgFeed – BrasilAgro encerra safra 2025/26 com prejuízo
- AgFeed – BrasilAgro derrapa nos fretes mais caros e registra prejuízo
- Money Times – BrasilAgro reporta prejuízo no 1T26
- Valor Econômico – BrasilAgro teve prejuízo no terceiro trimestre
- Itaú BBA – Relatório Visão Agro safra 2025/26
- agfeed.com.br
- agfeed.com.br
- agfeed.com.br
- fundamentos.capitalizo.com.br
- agfeed.com.br
- bmcnews.com.br
- theagribiz.com
- infomoney.com.br
- agfeed.com.br
- estadaori.estadao.com.br
- api.mziq.com
- agfeed.com.br
- fundamentos.capitalizo.com.br
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