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BrasilAgro fecha safra 2025/26 no vermelho sem vendas de terras

BrasilAgro encerra safra 2025/26 com prejuízo, pressionada por fretes, cana mais fraca e ausência de receita com venda de fazendas.

04 de setembro de 2026 4 min de leitura
BrasilAgro fecha safra 2025/26 no vermelho sem vendas de terras

A BrasilAgro encerrou a safra 2025/26 com resultado negativo, somando prejuízo após trimestres seguidos de pressão sobre margens. A combinação de fretes mais caros, menor produtividade na cana-de-açúcar e ausência de receita com venda de fazendas tirou o brilho do balanço. O caso importa porque a empresa é referência em agronegócio e mercado de terras, usada como termômetro por investidores e produtores.

O que aconteceu

No primeiro trimestre da safra 2025/26, a BrasilAgro registrou prejuízo líquido de cerca de R$ 64 milhões, revertendo o forte lucro obtido no mesmo período da safra anterior, quando a companhia se beneficiou da venda de propriedades e melhor desempenho operacional.

A receita com venda de fazendas, que havia somado mais de R$ 120 milhões no início da safra passada, foi zero neste começo de ciclo, deixando o resultado dependente apenas da operação agrícola. Ao mesmo tempo, a produtividade da cana caiu, reduzindo a geração de caixa do segmento sucroenergético.

No terceiro trimestre da safra 2025/26, correspondente ao período entre janeiro e março, a empresa voltou a reportar prejuízo na casa dos R$ 14 milhões, impactada por custos logísticos mais altos e pela decisão de segurar parte das vendas de soja, em busca de preços melhores.

Com isso, o acumulado dos nove primeiros meses do ciclo ficou negativo, com prejuízo somado superior a R$ 70 milhões, segundo balanços divulgados ao mercado. Em trimestres intermediários, houve algum alívio com lucros pontuais, mas insuficientes para compensar o impacto da ausência das transações imobiliárias.

Por que importa para o agro

O desempenho fraco da BrasilAgro sinaliza que, mesmo em empresas com escala e gestão profissional, margens estão mais apertadas na safra 2025/26. Frete caro, custo financeiro elevado e produtividade irregular atingem também produtores médios e grandes, especialmente em regiões distantes dos portos.

A ausência de venda de terras mostra que o mercado imobiliário rural está menos líquido, com negociações mais demoradas e compradores mais seletivos. Para produtores que contam com a valorização da terra como parte da estratégia, o recado é claro: o ganho está mais concentrado na eficiência produtiva do que na especulação.

Dados e contexto

Nos últimos anos, a BrasilAgro construiu boa parte de sua rentabilidade combinando produção de grãos, pecuária e cana com compra e venda de fazendas, aproveitando ciclos de alta do mercado de terras.

Na safra 2024/25, a companhia havia fechado o ano com receita líquida superior a R$ 1,2 bilhão, apoiada por cerca de R$ 240 milhões em venda de propriedades rurais, além da comercialização de soja, milho, cana e gado.

Já na safra 2025/26, o quadro mudou:

Indicador (BrasilAgro)Safra 2025/26*
Prejuízo 1T safra~R$ 64 milhões
Prejuízo 3T safra~R$ 14 milhões
Prejuízo acumulado 9 meses~R$ 76 milhões
Receita com venda de fazendasR$ 0 no início do ciclo

*Aproximações a partir de dados de mercado e comunicados da empresa.

No campo, bancos como o Itaú BBA apontam margens menores para soja e milho na safra 2025/26, com recuo estimado de cerca de 7 pontos percentuais na soja e 6 pontos no milho em relação ao ciclo anterior. Isso reforça o cenário de pressão generalizada sobre a rentabilidade no grão.

Instituições como Conab e USDA vêm revisando números de produção e estoques, indicando oferta elevada de grãos em alguns momentos, o que limita reação de preços em dólar. Para o produtor brasileiro, o efeito é amplificado pelos custos internos e pela volatilidade cambial.

O que observar daqui pra frente

Produtores e investidores devem acompanhar de perto três frentes: a evolução dos custos logísticos (frete, armazenagem e portos), a liquidez do mercado de terras rurais e o desempenho de culturas como cana, que servem de diversificação de receita. A forma como empresas como a BrasilAgro ajustarem a estratégia de vendas, investimentos e alavancagem será um bom indicador de risco e oportunidade para toda a cadeia.

Fontes

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