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Buri mira R$ 750 milhões em terras e dívidas no agro em crise

Gestora Buri aposta em compra de terras descontadas e reestruturação de dívidas para aproveitar a crise de liquidez no agronegócio.

10 de setembro de 2026 4 min de leitura
Buri mira R$ 750 milhões em terras e dívidas no agro em crise

A gestora Buri Asset estruturou uma tese de investimento que combina compra de terras agrícolas com desconto e operações em dívidas estressadas para aproveitar a atual crise de liquidez no agronegócio brasileiro. Com um plano que pode chegar a cerca de R$ 750 milhões em diferentes frentes, a casa quer transformar ativos pressionados – fazendas e créditos inadimplentes – em oportunidades de retorno para investidores e de reorganização financeira para produtores.

O que aconteceu

A Buri vem captando capital para fundos focados em agronegócio, com duas linhas principais: aquisição de propriedades rurais em situação oportunística e operações estruturadas sobre dívidas de empresas e produtores em dificuldade. Em terras, a gestora mira fazendas produtivas vendidas após execução de garantias, muitas vezes com descontos de 30% a 40% sobre os valores de 2022, além de áreas degradadas que podem ser recuperadas.

Na frente de crédito, o foco está em dívidas com alto risco de inadimplência, em um cenário em que o custo da dívida do agro segue acima de outros setores e o número de pedidos de recuperação judicial aumentou. A tese é comprar ativos problemáticos — terras ou créditos — com preço deprimido, reestruturar, agregar valor e vender quando o ciclo do agro voltar a um patamar mais favorável.

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Por que importa para o agro

Para o produtor endividado, esse movimento abre espaço para soluções de liquidez que vão além do crédito bancário tradicional. Estruturas como venda da fazenda com arrendamento de volta, troca de dívida cara por instrumentos com prazo mais longo ou entrada de capital de investidores podem evitar execuções e permitir reorganizar o negócio.

Para o mercado, a atuação de gestoras especializadas em agro ajuda a dar referência de preço em um segmento ainda pouco transparente, o mercado de terras. Ao reunir operações em larga escala, fundos focados em fazendas e crédito rural começam a formar um benchmark de valores por hectare, descontos praticados e retorno esperado, o que tende a atrair mais capital institucional para o campo.

Dados e contexto

Nos últimos dois anos, o agro enfrentou uma combinação de alta dos insumos e queda de preços de commodities, pressionando margens e elevando o endividamento. Levantamentos de consultorias financeiras indicam que empresas do chamado middle market do setor captam hoje, em mediana, entre CDI + 4,5% e CDI + 5,0% ao ano, patamar superior ao de outros segmentos.

A Conab tem mostrado forte variação de rentabilidade por cultura e região, com safras em que o custo por hectare se aproximou perigosamente da receita bruta, especialmente em soja e milho em áreas de menor produtividade. Já dados do MAPA e do Banco Central apontam crescimento das contratações de crédito rural com garantias reais, incluindo penhor de safra e hipoteca de imóveis rurais, aumentando o risco de perda de patrimônio em caso de default.

No mercado de terras, consultorias e gestoras relatam que propriedades produtivas em estados como Mato Grosso e Goiás vêm sendo ofertadas com descontos relevantes em relação ao pico observado em 2022. Enquanto isso, fundos e gestores especializados têm autorizado capital na casa de bilhões de reais para investir em fazendas, em janelas de cinco anos, com metas de desembolso inicial na faixa de R$ 500 milhões.

Indicador chaveSituação recente no agro
Custo de dívida corporativaMediana entre CDI + 4,5% e CDI + 5,0%
Desconto em terras produtivasCerca de 30% a 40% frente a 2022
Janela de investimento de fundos de terrasAproximadamente 5 anos
Capital autorizado em algumas gestorasAté R$ 5 bilhões

O que observar daqui pra frente

Produtores e empresas devem acompanhar três pontos: a velocidade de deterioração ou melhora da qualidade de crédito no agro, a evolução dos preços de terras em regiões-chave e o apetite de fundos especializados em assumir risco de fazenda e dívida. Quem estiver pressionado deve avaliar com cuidado propostas de venda, arrendamento e reestruturação, buscando preservar competitividade de longo prazo e alinhando operações financeiras à capacidade real de geração de caixa.

Fontes

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