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Cafeicultor perde poder de compra diante dos fertilizantes

Produtor precisa de 19,4% mais café para comprar a mesma quantidade de adubo adquirida em agosto, segundo o Cepea.

10 de outubro de 2026 3 min de leitura
Cafeicultor perde poder de compra diante dos fertilizantes

O produtor de café precisa de 19,4% mais café para comprar a mesma quantidade de fertilizante adquirida em agosto. O recuo ocorre no início da adubação da safra 2027/28 e aumenta a pressão sobre os custos da atividade.

O que aconteceu

A relação de troca entre o café arábica e os fertilizantes piorou em setembro, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). Na prática, o cafeicultor precisa entregar mais sacas para comprar o mesmo volume de adubo.

A retomada das chuvas em grande parte das regiões produtoras marcou o início da aplicação dos fertilizantes. Muitos produtores já haviam comprado os insumos para a primeira operação, mas o ciclo ainda terá novas necessidades de adubação.

De acordo com agentes consultados pelo Cepea, outra aplicação deve ocorrer até o fim de 2026 e no começo de 2027. O momento da compra pode influenciar diretamente a margem das lavouras.

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Por que importa para o agro

O fertilizante é um dos principais componentes do custo de produção do café. Quando o preço do insumo sobe em relação ao valor recebido pelo grão, o produtor precisa comprometer uma parcela maior da receita para manter o manejo nutricional da lavoura.

A pressão pode reduzir a flexibilidade financeira para outras despesas, como defensivos, mão de obra, manutenção e renovação de áreas. Também aumenta a necessidade de planejamento, compras antecipadas e avaliação da relação de troca antes da contratação dos insumos.

Dados e contexto

  • A comparação considera o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica e os preços médios dos fertilizantes no estado de São Paulo.
  • Em setembro, o produtor precisou de 19,4% mais café do que em agosto para comprar a mesma quantidade de adubo.
  • A melhora observada entre maio e o início de agosto perdeu força com a mudança na relação entre os preços do café e dos insumos.
  • O Cepea informou que a relação de troca ainda permanece menos favorável do que a registrada um ano antes.
  • A safra 2027/28 entra na fase de preparação após o encerramento da colheita da temporada 2026/27.
A relação de troca é um indicador prático para medir quantas sacas de café são necessárias para adquirir determinado volume de fertilizante. Quanto menor essa quantidade, maior o poder de compra do produtor.

O cenário também depende do comportamento das cotações internacionais do café, do câmbio, dos custos de importação e da oferta global de fertilizantes. Oscilações nesses fatores podem alterar rapidamente o custo da próxima aplicação.

O que observar daqui para frente

O cafeicultor deve acompanhar a relação de troca antes de fechar novas compras, comparar fornecedores e organizar o calendário de adubação com base na análise de solo e na recomendação técnica. A evolução dos preços do café e dos fertilizantes até o início de 2027 será decisiva para definir o custo final da safra.

Fontes

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