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Cervejarias se concentram no Sul e Sudeste e abrem espaço para mais cevada no campo

Mapas do setor cervejeiro mostram forte concentração de indústrias no Sul e Sudeste e indicam espaço para expansão da cevada na agricultura brasileira.

09 de junho de 2026 4 min de leitura
Cervejarias se concentram no Sul e Sudeste e abrem espaço para mais cevada no campo

O setor cervejeiro brasileiro segue fortemente concentrado nas regiões Sul e Sudeste, segundo mapas divulgados pelo Ministério da Agricultura (Mapa) e apresentados pelo Canal Rural.[5][4] A distribuição reforça a proximidade das fábricas com grandes centros consumidores e indica, para o campo, uma oportunidade clara: expandir a produção nacional de cevada, matéria-prima estratégica para a indústria.[5]

O que aconteceu

Mapas elaborados com dados de registro de estabelecimentos mostram que a maior parte das cervejarias do país está instalada no eixo Sul–Sudeste, onde se concentram indústria, renda e logística.[5] A configuração revela uma cadeia produtiva com forte aglomeração regional, tanto em grandes grupos quanto em cervejarias artesanais.

Levantamento recente do Mapa aponta que o Brasil possui 1.729 cervejarias registradas, com crescimento de 11,6% em 2022 e abertura de 180 novos estabelecimentos em um ano.[4] Apenas o Sudeste reúne 798 cervejarias, equivalente a 46,2% do total nacional, mantendo a liderança absoluta no setor.[4]

No Sul, estados tradicionalmente ligados à cultura cervejeira também registram alta densidade de fábricas.[5] A combinação de clima mais ameno, tradição de consumo, turismo e melhor infraestrutura logística sustenta a concentração produtiva nessas duas regiões.

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Por que importa para o agro

A concentração das cervejarias em Sul e Sudeste amplia a demanda regional por malte e cevada de qualidade, gerando oportunidades diretas para produtores de grãos e para cooperativas que buscam diversificar além de soja e milho.[5] A indústria indica que há espaço para substituir importações de cevada por produção nacional, principalmente em áreas de clima favorável.

Para o agro, isso significa potencial de contratos de longo prazo com indústrias, agregação de valor na porteira e expansão da agroindústria ligada a insumos cervejeiros, como maltearias.[5] A aproximação entre fábricas e fornecedores rurais pode reduzir custos logísticos, aumentar previsibilidade de demanda e estimular investimentos em tecnologia de produção de cevada, campo em que a Embrapa já atua com cultivares adaptadas a diferentes regiões.

Dados e contexto

O setor cervejeiro vem em trajetória consistente de expansão no Brasil, com maior presença de marcas regionais e artesanais.[4][5] Alguns números ajudam a dimensionar o cenário:

  • 1.729 cervejarias registradas no país em 2022.[4]
  • Crescimento de 11,6% no número de estabelecimentos em um ano.[4]
  • 180 novas cervejarias abertas em 2022.[4]
  • 798 cervejarias no Sudeste, equivalentes a 46,2% do total nacional.[4]
  • Brasil com uma cervejaria para cada 123.376 habitantes, aumento de 10,4% na densidade cervejeira.[4]
A cadeia cervejeira depende fortemente de cevada, malte, lúpulo e milho ou arroz como adjuntos. Hoje, boa parte da cevada utilizada ainda é importada, o que abre espaço para ampliar a produção interna.[5] O Sul já é o principal polo de cevada cervejeira, mas há potencial em áreas de altitude do Sudeste e em novas fronteiras, desde que haja adaptação de cultivares e manejo adequado.

Para produtores, a cevada pode funcionar como opção de inverno em rotação com soja e milho, melhorando uso do solo e diluindo riscos de mercado. Programas de fomento da indústria, em parceria com cooperativas e órgãos de pesquisa como Embrapa Trigo e Embrapa Clima Temperado, podem acelerar essa transição.

O que observar daqui pra frente

Produtores e cooperativas devem acompanhar a expansão de cervejarias regionais, editais de compra de cevada e programas de integração da indústria com o campo. A evolução de contratos de fornecimento, a ampliação de áreas de cevada em regiões de clima adequado e possíveis incentivos para substituição de importações serão pontos-chave para transformar a concentração industrial em oportunidades reais de renda e diversificação para o agro.

Fontes

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