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China eleva tarifa sobre carne bovina brasileira para 67%

Após o Brasil esgotar a cota anual, a China passou a aplicar sobretaxa de 55% sobre a carne bovina brasileira.

03 de outubro de 2026 3 min de leitura
China eleva tarifa sobre carne bovina brasileira para 67%

A China passou a cobrar tarifa total de 67% sobre a carne bovina brasileira que exceder a cota anual de importação. A medida começou a valer em 1º de outubro, depois que o Brasil esgotou o limite estabelecido para 2026. A mudança aumenta o custo dos embarques e pressiona frigoríficos, exportadores e produtores ligados ao mercado externo.

O que aconteceu

A tarifa chinesa é formada por uma alíquota regular de 12% e uma sobretaxa adicional de 55%. O aumento vale para os volumes enviados além da cota anual destinada ao Brasil, definida em aproximadamente 1,106 milhão de toneladas.

O Ministério do Comércio da China informou que o Brasil atingiu 100% do limite em 29 de setembro. Com isso, os carregamentos enquadrados como excedentes passaram a enfrentar a cobrança mais alta a partir de 1º de outubro.

A medida faz parte das salvaguardas adotadas pela China para proteger sua cadeia pecuária diante do aumento das importações de carne bovina. As regras têm previsão de duração de três anos, com revisão das condições ao longo do período.

Por que importa para o agro

A tarifa de 67% reduz a competitividade da carne brasileira no principal mercado comprador. O custo adicional pode inviabilizar contratos, provocar renegociação de preços e redirecionar parte dos embarques para outros destinos ou para o mercado interno.

Para os frigoríficos, o impacto tende a aparecer primeiro na programação de abates, na formação de estoques e nas decisões de compra do boi. No campo, uma eventual redução da demanda chinesa pode limitar a valorização da arroba, embora o efeito dependa da capacidade de outros mercados absorverem o volume excedente.

Dados e contexto

  • Tarifa regular na China: 12%.
  • Sobretaxa para o volume excedente: 55%.
  • Tarifa total fora da cota: 67%.
  • Cota brasileira para 2026: cerca de 1,106 milhão de toneladas.
  • Início da cobrança adicional: 1º de outubro de 2026.
  • Prazo previsto da salvaguarda: três anos.
A China é o principal destino da carne bovina brasileira. Em 2025, o país asiático recebeu aproximadamente 1,65 milhão a 1,68 milhão de toneladas do produto brasileiro, segundo dados divulgados no mercado. Esse volume superou a cota definida para 2026, o que explica a rápida utilização do limite.

A regra também aumenta a importância da diversificação. Estados Unidos, União Europeia, Oriente Médio, Japão e outros compradores podem ganhar relevância, mas cada destino possui exigências sanitárias, padrões de corte e limites comerciais próprios.

O que observar daqui para frente

O setor deve acompanhar as negociações entre os governos brasileiro e chinês, a eventual abertura de cota adicional e a distribuição dos volumes entre empresas exportadoras. Também será necessário monitorar preços do boi, câmbio, estoques nos portos chineses e a reação de outros compradores. A diversificação de mercados e o planejamento de contratos passam a ser prioridades para reduzir a exposição à política comercial de um único destino.

Fontes

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