Manejo

Chuvas irregulares e El Niño pressionam produtores na nova safra

Fenômeno El Niño traz excessos de chuva no Sul e atraso de precipitações no Centro-Norte, elevando custos e riscos na safra 2026/27.

16 de setembro de 2026 4 min de leitura
Chuvas irregulares e El Niño pressionam produtores na nova safra

Produtores brasileiros entram na safra 2026/27 sob forte pressão do clima. O retorno de um El Niño intenso combina chuvas acima da média no Sul com atraso e irregularidade das precipitações no Centro-Oeste, Matopiba e Sudeste, elevando custos, complicando o manejo e ampliando o risco de quebra de produtividade.[1][2][3][13][14]

O que aconteceu

A safra atual começou com excessos de chuva em regiões do Sul, dificultando operações de plantio, aplicação de insumos e colheita de culturas como arroz e soja. Em vários casos, produtores já relatam problemas de qualidade de grãos e maior risco de doenças fúngicas nas lavouras.[1][2][12]

Enquanto isso, áreas de Centro-Oeste, Norte e Nordeste enfrentam chuvas atrasadas ou irregulares, com veranicos prolongados e temperaturas elevadas. Esse cenário vem atrasando a semeadura da soja e aumentando a incerteza quanto à janela da safrinha de milho.[2][3][13][14]

O resultado é uma safra marcada por replanejamento constante: replantio de áreas, mais horas de máquina, maior uso de defensivos e fertilizantes em janelas apertadas e aumento dos custos operacionais em um ambiente de crédito mais restrito e endividamento elevado.[1][5][7][11]

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Por que importa para o agro

Para o produtor, o El Niño forte combina risco agronômico e financeiro. O excesso de chuva no Sul e a falta ou irregularidade no Centro-Norte aumentam a chance de queda de produtividade, piora da qualidade e necessidade de replantio, em um momento de margens apertadas e relação de troca desfavorável entre insumos e grãos.[1][2][5][6]

Na cadeia produtiva, a instabilidade climática pode gerar quebras localizadas de safra e maior volatilidade de preços, afetando contratos, cumprimento de entregas e planejamento de indústria, cooperativas e tradings. Regiões com safra comprometida podem elevar a demanda por crédito emergencial, renegociação de dívidas e suporte institucional, com impacto direto em bancos e políticas públicas.[6][9][11]

Dados e contexto

El Niño é um fenômeno de aquecimento anômalo do Pacífico equatorial que altera o padrão de chuvas no Brasil. Para este ciclo, projeções indicam:[2][3][10][13][14][15]

  • Chuvas acima da média no Sul, com maior risco de doenças fúngicas, problemas de colheita e perda de qualidade.
  • Chuvas abaixo ou irregulares em Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Matopiba e partes de Minas, com veranicos prolongados.
  • Temperaturas elevadas, com máximas próximas de 40–45°C em algumas áreas.
Consequências frequentes na agricultura:[9][12][15]
Impacto climáticoEfeito na produção

| Excesso de chuva | Atraso de plantio e colheita; dificuldade de tráfego de máquinas; aumento de perdas operacionais | | Falta de chuva / veranico | Estresse hídrico; atraso na emergência; menor desenvolvimento vegetativo | | Calor extremo | Maior pressão de pragas e doenças; redução potencial de produtividade |

Especialistas destacam quatro frentes de ajuste de manejo para enfrentar o fenômeno:[14][15]

  • Calendário agrícola: antecipar ou postergar plantio conforme a região, buscando a melhor janela de chuva.
  • Cultivares mais resilientes: materiais tolerantes à seca ou ao excesso de água, dependendo do risco predominante.
  • Manejo de solo: melhoria de estrutura, cobertura e conservação para reter água onde falta e favorecer drenagem onde sobra.
  • Gestão hídrica: investimento em irrigação em áreas de seca e drenagem eficiente em áreas de chuva intensa.

O que observar daqui pra frente

Nas próximas semanas, produtores devem acompanhar de perto boletins climáticos regionais e ajustar rapidamente operações de campo à evolução das chuvas. A atenção deve se concentrar na janela de plantio da soja, na definição segura da safrinha de milho e na qualidade de grãos nas áreas de excesso de umidade, além da oferta de crédito e possíveis medidas de apoio em regiões mais afetadas por estiagem ou enchentes.[2][3][6][10][13][14][15]

Fontes

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