Citi corta projeções da SLC Agrícola com risco de El Niño severo
Banco vê cenário climático e de custos mais pesado para a SLC Agrícola, reduz preço-alvo, aperta projeções e acende alerta para margens na safra 2026/27.
O Citi reduziu o preço-alvo das ações da SLC Agrícola de R$ 19,50 para R$ 15 e manteve recomendação neutra para o papel, citando previsão de El Niño severo e pressão de custos na safra 2026/27.[1] O banco projeta queda de produtividade, aumento de custos por hectare e margens mais apertadas, o que limita o potencial de valorização da companhia no curto prazo.[1]
O que aconteceu
Em relatório divulgado em 11 de junho, o analista Gabriel Barra, do Citi, revisou para baixo as estimativas de receita, Ebitda, lucro e geração de caixa da SLC Agrícola para 2026 e 2027.[1][3] A visão é de cenário operacional mais difícil, combinando clima adverso, insumos caros e menor fôlego para expansão.
O preço-alvo passou de R$ 19,50 para R$ 15, nível próximo à cotação atual, o que justifica a manutenção da recomendação neutra.[1] No pregão, as ações SLCE3 caíam pouco mais de 2% após a divulgação do relatório.[1][4]
O Citi também projeta custos por hectare 5% maiores na próxima safra, somando o efeito do clima à alta de insumos.[1] Para a produtividade, o banco considera impacto negativo de 5% em relação ao ano anterior, com maior risco nas lavouras de soja e algodão, plantadas no auge do El Niño.[1]
Por que importa para o agro
A leitura do Citi indica que grandes players de grãos e fibras podem enfrentar pressão simultânea de custos e produtividade na safra 2026/27, se o El Niño vier mais intenso. Isso tende a comprimir margens mesmo em empresas com escala, tecnologia e diversificação de áreas, como a SLC.[1]
Para o produtor, o recado é claro: o mercado financeiro já precifica risco climático e de custos no setor. Isso pode afetar acesso a crédito, apetite de investidores e estratégias de hedge, especialmente em regiões mais sensíveis à variabilidade de chuvas que o fenômeno provoca, como parte do Cerrado e do Matopiba, relevantes na produção de soja e algodão segundo mapeamentos da Conab e da Embrapa.
Dados e contexto
Segundo o relatório do Citi sobre a SLC Agrícola:[1][3]
- Preço-alvo SLCE3: de R$ 19,50 para R$ 15.
- Recomendação: neutra (sem indicação clara de compra ou venda).
- Queda estimada de produtividade: -5% na safra 2026/27.
- Aumento de custos por hectare: +5% na próxima safra.
- Ações no dia do relatório: recuo de pouco mais de 2%.
Estudos da Embrapa e do Inmet apontam que episódios de El Niño forte tendem a alterar o regime de chuvas no Brasil, com seca mais provável no Norte e Nordeste e chuvas acima da média no Sul, o que afeta calendário de plantio, janela de colheita e sanidade das lavouras. Em anos recentes, a Conab registrou quebras de safra de grãos associadas a eventos climáticos extremos, reforçando a sensibilidade da produtividade às oscilações de temperatura e precipitação.
O que observar daqui pra frente
Produtores e investidores devem acompanhar a evolução das previsões climáticas oficiais (Inmet, NOAA), além de relatórios de empresas como SLC, para medir o impacto real do El Niño em área plantada, produtividade e custo por hectare. Estratégias de seguro rural, irrigação, manejo de risco climático e travas de preço ganham importância em um cenário em que o mercado já antecipa margens pressionadas para a safra 2026/27.
Fontes
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