Gestão

Clima lidera preocupações para a próxima safra de soja

Produtores apontam o clima como principal fator de decisão para a safra 26/27 de soja, à frente de custos e preços.

28 de agosto de 2026 4 min de leitura
Clima lidera preocupações para a próxima safra de soja

Produtores brasileiros de soja entram na safra 2026/27 com o clima no topo da lista de preocupações, à frente dos custos de produção e dos preços da oleaginosa. A leitura reforça que a gestão de risco climático será decisiva para definir produtividade, rentabilidade e segurança financeira nas próximas temporadas.

O que aconteceu

Enquete do Projeto Soja Brasil, feita com produtores e profissionais da cadeia, mostrou que 55% dos votos apontam "mudança no clima" como o fator que mais pesa nas decisões para a nova safra.

Em segundo lugar vem "mudança nos custos de produção", com 34% dos votos, seguido pelos preços da soja, que aparecem com menor peso nas respostas. O resultado confirma tendência já vista em outras pesquisas, como levantamentos que indicam que mais de 70% dos sojicultores têm as mudanças climáticas como principal preocupação.

O debate ocorre em meio a projeções de El Niño forte ou "superpoderoso" para o ciclo 26/27, com risco de chuvas irregulares no Centro-Oeste e Matopiba, calor extremo acima de 40°C em setembro e outubro e excesso de precipitação no Sul, cenário que pode afetar plantio, manejo e colheita.

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Por que importa para o agro

Quando o clima passa a liderar as decisões, o produtor tende a ajustar calendário de plantio, escolha de cultivares, investimento em manejo de solo e contratação de seguro agrícola. Em anos de alta incerteza climática, erros de timing no plantio e na adubação podem custar mais caro que oscilações pontuais de preço.

O foco no risco climático também muda a forma de negociar insumos e travar preços. Produtores podem segurar parte das compras, escalonar contratos e usar ferramentas de proteção (hedge, barter, seguro), combinando estratégia comercial com leitura mais fina de previsões meteorológicas e dos impactos regionais do El Niño.

Dados e contexto

Pesquisas recentes com produtores de soja indicam que 72% já enxergam as mudanças climáticas como a maior ameaça ao negócio, à frente de custos e mercado.

A Conab projeta que safras recordes continuam possíveis, mas alerta para o peso dos extremos climáticos na produtividade e na estabilidade da oferta. Em cenários de El Niño forte, consultorias apontam risco de queda de produtividade entre 15% e 25% em áreas mais afetadas, caso o produtor não ajuste manejo e calendário.

A leitura técnica hoje combina previsões nacionais e internacionais:

Instituição / FonteFoco principal
ConabProjeções de produção e impacto do clima na oferta
EmbrapaManejo de solo, cultivares adaptadas e práticas para mitigar estresse hídrico
Mapas meteorológicos nacionais e globaisMonitoramento de El Niño, chuvas e ondas de calor

No campo, entidades como Aprosoja relatam que a variável clima domina conversas com produtores desde a safra 24/25, com atraso de plantio, replantio e maior uso de tecnologias de monitoramento.

O que observar daqui pra frente

Para o produtor, o ponto central é acompanhar a evolução do El Niño, as janelas de chuva em cada região e os boletins de instituições como Embrapa e Conab para ajustar plantio, adubação e estratégias de proteção de receita. A combinação de calendário bem planejado, cultivares adequadas e ferramentas de gestão de risco será determinante para atravessar um ciclo em que o clima, mais do que o preço, deve definir quem mantém produtividade e caixa saudável.

Fontes

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