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Conselho da Raízen aprova capitalização de até R$ 39,8 bilhões

A operação prevê aporte de até R$ 3,5 bilhões da Shell, conversão de dívidas em ações e mudanças no controle da Raízen.

07 de novembro de 2026 3 min de leitura
Conselho da Raízen aprova capitalização de até R$ 39,8 bilhões

O conselho de administração da Raízen aprovou a estrutura societária para uma capitalização que pode alcançar R$ 39,8 bilhões. A operação faz parte do plano de recuperação extrajudicial da companhia e prevê aporte de até R$ 3,5 bilhões da Shell, sua acionista controladora em conjunto com a Cosan.

A medida busca reorganizar a estrutura financeira da maior empresa sucroenergética do país. O plano também pode alterar o controle da companhia e reduzir a pressão sobre o caixa, em um momento de elevado endividamento e necessidade de capital para financiar as operações agrícolas e industriais.

O que aconteceu

A decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho da Raízen. A Shell se comprometeu a aportar até R$ 3,5 bilhões, valor suficiente para atingir a subscrição mínima de 14 bilhões de novas ações, mesmo sem a participação dos demais acionistas.

As ações serão emitidas a R$ 0,25 cada. A homologação da operação dependerá de a Shell ficar com a maioria das novas ações preferenciais classe B, que concentrarão os direitos de controle e não serão negociadas em bolsa.

O aumento de capital também prevê a conversão de parte dos créditos dos credores em participação acionária. Em cenário máximo, os credores poderão ficar com até 80% do capital da companhia, enquanto a Shell deverá se tornar o maior acionista individual, com participação estimada entre 13% e 15%.

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Por que importa para o agro

A Raízen opera em uma cadeia estratégica para o agronegócio brasileiro, com produção de açúcar, etanol e bioenergia, além da distribuição de combustíveis e lubrificantes. Uma estrutura financeira mais equilibrada pode ampliar a capacidade de compra de cana, manutenção de ativos e investimentos em produtividade.

Para produtores e fornecedores, o principal efeito esperado é a busca por maior previsibilidade nos pagamentos e nos contratos. A operação, porém, também aumenta a influência de credores e da Shell sobre decisões estratégicas, o que pode alterar prioridades de investimento, venda de ativos e expansão industrial.

Dados e contexto

  • Valor máximo da capitalização: R$ 39,8 bilhões.
  • Aporte da Shell: até R$ 3,5 bilhões.
  • Possível aporte da Aguassanta Participações: até R$ 500 milhões.
  • Preço de emissão: R$ 0,25 por ação.
  • Capital social atual: R$ 6,86 bilhões.
  • Capital social no cenário máximo: R$ 46,66 bilhões.
  • Participação potencial dos credores: até 80% da companhia.
Se a Aguassanta aderir à operação, R$ 5 bilhões serão destinados ao capital de giro. O excedente será dividido entre amortização de dívidas, com 70%, e reforço do capital de giro, com 30%. Sem esse aporte, o piso destinado ao caixa cai para R$ 4,5 bilhões.

A assembleia também aprovou uma redução de capital de até R$ 35 bilhões para viabilizar a reorganização. A conversão das dívidas em ações deverá ser concluída até dezembro, conforme o cronograma informado ao mercado.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar a adesão dos acionistas, a conversão dos créditos e a homologação da capitalização. Também serão decisivos o uso efetivo dos recursos no capital de giro, a redução da dívida e os impactos sobre fornecedores de cana. A nova composição acionária poderá definir a estratégia da Raízen para ativos, investimentos e contratos no setor sucroenergético.

Fontes

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