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Consumo de milho em Mato Grosso deve superar exportações em 2026/27

Demanda interna projetada pelo Imea deve atingir 27,04 milhões de toneladas e ultrapassar os embarques externos do estado pela primeira vez.

06 de outubro de 2026 3 min de leitura
Consumo de milho em Mato Grosso deve superar exportações em 2026/27

Mato Grosso deve consumir internamente mais milho do que exportar na safra 2026/27. A projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica demanda doméstica de 27,04 milhões de toneladas, enquanto os embarques externos devem somar 17,50 milhões de toneladas. A mudança ocorre pela expansão das indústrias de etanol e do processamento do cereal no próprio estado.

O que aconteceu

O consumo interno de milho em Mato Grosso deve crescer 16,23% em relação à safra 2025/26, quando foi estimado em 23,27 milhões de toneladas. O avanço amplia a participação das usinas e de outras indústrias na absorção da produção estadual.

As exportações devem recuar 27,39%, passando de 24,10 milhões para 17,50 milhões de toneladas. Com a combinação de maior demanda doméstica e menor volume enviado ao exterior, o mercado interno deve se tornar o principal destino do cereal pela primeira vez.

O Imea projeta produção de 53,68 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 7,50% ante a temporada anterior. A área plantada deve alcançar 7,48 milhões de hectares, alta de 0,59%, mas a produtividade estimada caiu para 119,64 sacas por hectare.

Por que importa para o agro

A mudança reduz a dependência de Mato Grosso do mercado externo e amplia as alternativas de comercialização para o produtor. O milho pode ser direcionado a usinas de etanol, fábricas de ração e outros segmentos industriais, além dos compradores internacionais.

Por outro lado, a maior disputa pelo cereal dentro do estado pode diminuir a disponibilidade para exportação e alterar a formação de preços. A demanda das indústrias tende a ganhar peso nas decisões de venda, armazenagem e planejamento logístico.

Para as usinas, a oferta regional facilita o abastecimento e reduz a necessidade de transportar milho por longas distâncias. Para os produtores, a expansão do consumo cria novos compradores, mas também exige atenção aos contratos, à localização das unidades e aos custos de frete.

Dados e contexto

IndicadorSafra 2025/26Safra 2026/27Variação
Consumo interno23,27 milhões t27,04 milhões t+16,23%
Exportações24,10 milhões t17,50 milhões t-27,39%
Produção58,03 milhões t53,68 milhões t-7,50%
Área plantada—7,48 milhões ha+0,59%
Produtividade—119,64 sc/ha-8,05%

O cenário ocorre mesmo com o Brasil mantendo forte presença no comércio internacional de milho. Em Mato Grosso, entretanto, a expansão do processamento doméstico muda o equilíbrio entre exportação e consumo local.

Os estoques finais do estado são projetados em 290 mil toneladas, redução de 55,77% na comparação com a safra anterior. O número reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de consumo, a produtividade da segunda safra e a capacidade de armazenagem.

O que observar daqui para frente

O produtor deve monitorar o avanço do plantio da soja, a janela da segunda safra, os contratos com usinas e a evolução dos preços internos. Uma produção menor pode limitar a oferta, enquanto a demanda industrial aquecida tende a sustentar a competição pelo milho. Mudanças no câmbio, no frete e nas compras externas também podem alterar a atratividade das exportações.

Fontes

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