COP17 abre na Mongólia com foco em seca, terra e financiamento
Cúpula da ONU sobre desertificação inicia na Mongólia com agenda de restauração de terras, seca e novos mecanismos de financiamento, com impacto direto no agro global.
A 17ª Conferência das Partes da Convenção da ONU de Combate à Desertificação (COP17) começou em Ulã Bator, na Mongólia, com o lema “Restaurar a terra, restaurar a esperança”. O encontro reúne quase 200 países para avançar em soluções contra seca, degradação da terra e desertificação, com destaque para novos mecanismos de financiamento voltados a regiões vulneráveis e produtoras de alimentos.
O que aconteceu
A COP17 marca a primeira das grandes cúpulas ambientais da ONU em 2026, com mais de 10 mil participantes, incluindo governos, setor privado e sociedade civil. O foco central é transformar compromissos anteriores em projetos concretos para restaurar terras degradadas e reforçar a resiliência à seca.[3][12]
A agenda de Ulaanbaatar busca operacionalizar o pacote de cerca de US$ 12 bilhões em iniciativas de resiliência à seca e restauração de terras, derivado da parceria global lançada em 2024. Estudos da Convenção apontam que mais de 40% das terras do planeta já apresentam algum grau de degradação e que a seca e a desertificação afetam até 3,2 bilhões de pessoas.[3][12]
Além de metas de restauração de até 1,5 bilhão de hectares até 2030, os debates tratam da criação de instrumentos financeiros específicos para regiões secas, incluindo fundos dedicados, seguros climáticos, títulos sustentáveis e modelos de parceria público-privada voltados a água, rangelands e sistemas alimentares.[1][4][7]
Por que importa para o agro
Para o produtor rural, o avanço da desertificação significa perda direta de produtividade, maior custo com irrigação, insumos e manejo de solo. A COP17 discute formas de canalizar recursos internacionais para projetos de agricultura resiliente à seca, recuperação de pastagens e sistemas de produção adaptados à variabilidade climática.[1][4][7]
O Brasil participa apresentando experiências de combate à degradação da terra e mitigação dos efeitos da seca no semiárido, com potencial de atrair novos investimentos para programas como recuperação de áreas de pastagens degradadas, manejo sustentável de água e ampliação de tecnologias já conhecidas por instituições como Embrapa e órgãos estaduais.[11]
Dados e contexto
A Convenção da ONU de Combate à Desertificação (UNCCD) aponta que:
- 40% das terras globais estão degradadas, afetando 3,2 bilhões de pessoas[3][12]
- O déficit de investimento para restaurar mais de 1 bilhão de hectares até 2030 é estimado em US$ 2,6 trilhões[3]
- O pacote atual de compromissos gira em torno de US$ 12–12,15 bilhões para 74 países vulneráveis[3][8]
| Eixo | Foco principal |
|---|---|
| Restauração de terras | Recuperação de áreas degradadas e combate à desertificação |
| Resiliência à seca | Planos nacionais de resposta e mecanismos de financiamento |
| Água | Infraestrutura hídrica e segurança de abastecimento em áreas secas |
| Rangelands | Manejo sustentável de pastagens naturais e pecuária extensiva |
| Sistemas alimentares | Produção de alimentos em ambientes vulneráveis e segurança alimentar |
O Brasil, segundo o Ministério do Meio Ambiente, leva à COP17 casos de políticas de manejo sustentável de paisagens, proteção de recursos hídricos e cooperação internacional em regiões afetadas pela desertificação, alinhadas às metas de restauração de terras.[11]
O que observar daqui pra frente
Produtores e empresas do agro devem acompanhar como serão estruturados os novos fundos e instrumentos financeiros discutidos na COP17, especialmente aqueles focados em seca, água e restauração de solos. Projetos bem desenhados em nível nacional ou regional podem acessar recursos internacionais para irrigação eficiente, recuperação de pastagens, sistemas integrados de produção e seguros climáticos, abrindo oportunidades concretas para investimentos em adaptação e sustentabilidade.
Fontes
- Canal Rural – COP17 abre na Mongólia com foco em seca, terra e financiamento
- UNCCD – COP17, Ulaanbaatar, Mongolia, 2026
- UNCCD – COP17 Programme
- UNCCD – Media Kit COP17
- Ministério do Meio Ambiente – Brasil apresenta na COP17 experiência de combate à degradação da terra
- Yenisafak – COP17 opens in Mongolia to tackle global land degradation
- EFE/Infobae – Mongolia inaugura la COP17 de desertificación
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