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Cosan reduz dívida, mas cobertura do serviço ainda preocupa

A Cosan reduziu a dívida líquida expandida para R$ 9,2 bilhões, mas o baixo índice de cobertura do serviço da dívida mantém a pressão financeira.

06 de outubro de 2026 4 min de leitura
Cosan reduz dívida, mas cobertura do serviço ainda preocupa

A Cosan encerrou o segundo trimestre de 2026 com dívida líquida expandida de R$ 9,2 bilhões, queda de 47% em um ano e de 20% ante o trimestre anterior. O avanço foi apoiado pelo IPO da Compass e por desinvestimentos. Mesmo com a desalavancagem, o índice de cobertura do serviço da dívida permaneceu baixo, em 0,2 vez, mantendo a pressão sobre o caixa da holding.

O que aconteceu

A redução do endividamento foi o principal destaque financeiro do balanço. A companhia recebeu cerca de R$ 2,3 bilhões líquidos com a abertura de capital da Compass e também avançou na venda de ativos ao longo dos últimos 12 meses. Esses recursos ajudaram a reforçar o caixa e reduzir obrigações financeiras.

O resultado operacional também melhorou. O Ebitda ajustado alcançou R$ 3,52 bilhões, alta de 24% sobre o segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda passou de 27% para 32,7%. O prejuízo líquido atribuível aos controladores caiu 66%, para R$ 320,5 milhões, mas continuou negativo.

A melhora não eliminou o risco financeiro. O índice de cobertura do serviço da dívida mede a capacidade de pagar juros e principal com os recursos gerados pelas operações e pelos dividendos recebidos das investidas. Na Cosan, o indicador ainda está distante de um nível confortável.

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Por que importa para o agro

A Cosan tem participação relevante em negócios ligados ao açúcar, etanol, energia, logística e distribuição de combustíveis. Por isso, sua estrutura financeira influencia decisões de investimento em usinas, ferrovias, terminais, armazenagem e infraestrutura de combustíveis.

Uma dívida menor pode liberar recursos para manutenção e expansão das operações. Também reduz a exposição da companhia a juros elevados, câmbio e oscilações nos preços de commodities. Para produtores e fornecedores, a saúde financeira do grupo afeta contratos, demanda por cana, capacidade de pagamento e ritmo de investimentos na cadeia sucroenergética.

Dados e contexto

Indicador2º trimestre de 2026Variação ou referência
Dívida líquida expandidaR$ 9,2 bilhões-47% em 12 meses; -20% no trimestre
Ebitda ajustadoR$ 3,52 bilhões+24% em 12 meses
Margem Ebitda32,7%27% no 2º trimestre de 2025
Prejuízo líquidoR$ 320,5 milhões-66% em 12 meses
Cobertura do serviço da dívida0,2 vezMeta de 0,8 a 1,2 vez até o fim de 2026

A companhia pretende elevar a cobertura do serviço da dívida para uma faixa entre 0,8 e 1,2 vez até dezembro. A meta depende da redução das despesas financeiras, da geração de caixa e do recebimento de dividendos das empresas investidas.

A dívida líquida expandida considera, além da dívida financeira, componentes associados à estrutura de capital da holding. Por isso, pode apresentar valor diferente da dívida líquida tradicional divulgada em alguns relatórios de mercado.

O que observar daqui para frente

O mercado deve acompanhar a geração de caixa, os dividendos recebidos e novos desinvestimentos. A Cosan também precisará manter o avanço operacional sem comprometer investimentos nas empresas do grupo. A recuperação do índice de cobertura será o principal teste para confirmar se a queda da dívida representa uma melhora estrutural, e não apenas um efeito pontual de venda de ativos e entrada de recursos do IPO.

Fontes

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