Diesel pode dobrar sem medidas contra choque do petróleo
Setor de combustíveis estima que diesel e gasolina poderiam custar até o dobro nas bombas sem ações para conter o choque internacional do petróleo.

Representantes do setor de combustíveis estimam que diesel e gasolina poderiam custar até o dobro nas bombas sem medidas para limitar o repasse da alta internacional do petróleo. O impacto preocupa o agronegócio, que depende do diesel para o plantio, a colheita, o transporte e a armazenagem da produção.
O que aconteceu
O choque de preços foi provocado pela escalada das tensões no Oriente Médio, com reflexos sobre as cotações internacionais do petróleo e dos derivados. Para reduzir o impacto no mercado brasileiro, foram adotadas medidas de contenção do repasse aos preços domésticos.
Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel vendido pela Petrobras nas refinarias estava em R$ 3,57 por litro, enquanto a referência internacional alcançava R$ 7,497. A diferença indica que o preço interno correspondia a cerca de 47% do valor externo.
Na gasolina, o preço nas refinarias da Petrobras era de R$ 3,80 por litro, ante aproximadamente R$ 7 no mercado internacional. A entidade avalia que, sem as medidas adotadas, a alta poderia chegar rapidamente aos consumidores.
Por que importa para o agro
O diesel é um dos principais custos variáveis da atividade agrícola. Ele abastece tratores, colheitadeiras, caminhões, secadores de grãos e equipamentos usados na irrigação. Uma alta expressiva eleva o custo operacional justamente em períodos de plantio ou colheita.
O aumento também afeta o frete entre fazendas, armazéns, tradings, portos e centros consumidores. Em regiões distantes dos corredores de exportação, o repasse pode reduzir a margem do produtor e pressionar os preços de fertilizantes, defensivos, sementes e outros insumos transportados por rodovia.
Dados e contexto
A Abicom informou que o diesel contava com duas subvenções temporárias: uma de R$ 1,40 por litro, com vencimento previsto para 12 de novembro, e outra de R$ 2,12, prevista para o fim do mês. Somadas, as medidas representavam R$ 3,52 por litro.
| Indicador | Valor informado |
|---|---|
| Diesel Petrobras na refinaria | R$ 3,57/litro |
| Diesel no mercado internacional | R$ 7,497/litro |
| Gasolina Petrobras na refinaria | R$ 3,80/litro |
| Gasolina no mercado internacional | Cerca de R$ 7/litro |
| Subvenções previstas para o diesel | R$ 3,52/litro |
Na semana de 25 a 31 de outubro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registrou preço médio de R$ 7 por litro para o diesel nos postos, alta de 0,14% ante a semana anterior. A gasolina comum recuou 0,15%, para R$ 6,48 por litro.
O que observar daqui pra frente
O mercado deve acompanhar a duração das subvenções, a cotação internacional do petróleo e o câmbio. Para o produtor, o risco maior está em contratar fretes e operações de campo sem margem para novas altas. A gestão pode incluir compras antecipadas de diesel, revisão de rotas, negociação de fretes e monitoramento regional dos preços divulgados pela ANP.
Fontes
- Canal Rural – Setor estima combustíveis até 2 vezes mais caros sem ação para conter choque do petróleo
- ANP – Painel Dinâmico de Transparência na Distribuição
- ANP – Levantamento de preços de combustíveis
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