Sustentabilidade

El Niño agrava seca e perdas no Corredor Seco da América Central

Seca associada ao El Niño ameaça rebanhos, colheitas e a segurança alimentar de milhões de pessoas no Corredor Seco da América Central.

03 de outubro de 2026 3 min de leitura
El Niño agrava seca e perdas no Corredor Seco da América Central

A seca associada ao El Niño está comprometendo lavouras, pastagens e rebanhos no Corredor Seco da América Central. A região enfrenta falta de água e alimentos, com impacto direto sobre pequenos produtores e risco de aumento da insegurança alimentar.

O que aconteceu

O fenômeno climático reduziu as chuvas em uma faixa que passa por Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Costa Rica. A estiagem prejudicou o plantio de milho e feijão, culturas básicas para a alimentação e a renda das famílias rurais.

Em Honduras, mais de 70 mil dos cerca de 73 mil lares que plantaram milho no primeiro ciclo de 2026 relataram perdas. Segundo os dados citados na reportagem, 78,6% dessas famílias perderam entre 75% e 100% da colheita.

A falta de pasto e água também debilitou o gado. Produtores passaram a vender animais por preços baixos antes que morressem, reduzindo o patrimônio das propriedades e pressionando a oferta local de carne e leite.

Imagem

Por que importa para o agro

O impacto começa no campo, mas alcança toda a cadeia. A quebra das lavouras reduz a disponibilidade de grãos para consumo humano e alimentação animal. Com menos pasto, o produtor precisa comprar ração ou diminuir o rebanho, elevando os custos e antecipando vendas.

A situação é mais grave entre agricultores familiares, que dependem de uma ou duas safras anuais e têm acesso limitado a irrigação, crédito e seguro rural. A perda da colheita pode provocar endividamento, migração e dependência de ajuda humanitária.

Dados e contexto

  • O Programa Mundial de Alimentos estima que 4,2 milhões de pessoas possam entrar em situação de insegurança alimentar na América Central por causa do El Niño.
  • Em Honduras, o número de pessoas em insegurança alimentar pode subir de 1,4 milhão para 1,9 milhão.
  • A FAO aponta que o Corredor Seco apresenta condições particularmente vulneráveis entre junho e dezembro, período que afeta as safras de primeira e de segunda.
  • O Corredor Seco é uma área semiárida sujeita a secas recorrentes e concentra milhões de famílias que dependem da agricultura de subsistência.
  • Em episódios anteriores, como o El Niño de 2015–2016, a FAO registrou impacto sobre cerca de 3,5 milhões de pessoas na região.
O problema combina variabilidade climática e vulnerabilidade estrutural. Mesmo quando a chuva retorna, eventos intensos podem provocar erosão, perdas de solo e novos danos às lavouras.

O que observar daqui para frente

A evolução das chuvas será decisiva para o plantio das próximas safras e para a recuperação das pastagens. Produtores devem acompanhar alertas meteorológicos, priorizar água para consumo e animais, preservar reservas de forragem e avaliar o escalonamento das vendas. Governos e organismos internacionais terão de ampliar assistência, sementes adaptadas, crédito emergencial e medidas de proteção alimentar.

Fontes

Compartilhar:

Continue lendo