Sustentabilidade

El Niño forte eleva risco de incêndios no Norte do Brasil

El Niño reduz as chuvas e aumenta o risco de incêndios na Região Norte, com impactos sobre lavouras, pastagens e logística rural.

25 de setembro de 2026 3 min de leitura
El Niño forte eleva risco de incêndios no Norte do Brasil

O El Niño deve reduzir o volume de chuvas e aumentar o risco de incêndios na Região Norte do Brasil nos próximos meses. Até 25 de setembro de 2026, foram registrados 28.282 focos de calor, alta de 41% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O cenário preocupa produtores, comunidades rurais e cadeias de transporte.

O que aconteceu

A intensificação do fenômeno climático altera o padrão de circulação atmosférica e favorece períodos mais quentes e secos no Norte. A previsão indica chuvas abaixo da média em áreas da região, principalmente durante a transição entre a estação seca e o início do período chuvoso.

O meteorologista Artur Miller, ouvido pelo Canal Rural, afirmou que o Norte deve enfrentar menor volume de precipitações nos próximos meses. Com menos umidade no solo e na vegetação, o fogo se espalha com maior facilidade, sobretudo em áreas de floresta, pastagem e propriedades próximas a estradas.

O terceiro boletim do Painel El Niño 2026–2027, elaborado por órgãos como INPE, Cemaden e Inmet, aponta que temperaturas elevadas combinadas com chuvas abaixo da média podem ampliar o déficit hídrico. O atraso no início das chuvas também pode prolongar o período de maior suscetibilidade ao fogo.

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Por que importa para o agro

A estiagem reduz a disponibilidade de água para dessedentação animal, irrigação e atividades de processamento. Pastagens secas perdem qualidade nutricional e ficam mais vulneráveis às queimadas, elevando os custos com alimentação e manejo do rebanho.

O fogo também pode atingir cercas, galpões, máquinas, áreas de cultivo e reservas legais. A fumaça prejudica a visibilidade em estradas e pode interromper o transporte de grãos, insumos e combustíveis. Em regiões produtoras da Amazônia Legal, isso aumenta o risco operacional durante a colheita e a comercialização.

A ocorrência de incêndios ainda pode pressionar a oferta local de produtos agropecuários e elevar despesas com prevenção, brigadas, manutenção de aceiros e recuperação de áreas afetadas. O impacto varia conforme a intensidade do fenômeno e a distribuição das chuvas em cada município.

Dados e contexto

  • 28.282 focos de calor: total registrado até setembro de 2026, conforme o INPE.
  • 41% de alta: comparação com o mesmo período de 2025.
  • Regiões sob atenção: Norte, Centro-Oeste e áreas do Nordeste.
  • Período crítico: transição entre a estação seca e o início das chuvas, especialmente entre setembro e novembro.
  • Fatores de risco: temperaturas acima da média, baixa umidade, déficit hídrico e atraso das precipitações.
O Cemaden prevê chuvas abaixo da média na Região Norte e em áreas do Brasil Central. O Inmet também aponta possibilidade de temperaturas acima da média no segundo semestre, condição que favorece ondas de calor e incêndios florestais.

O que observar daqui pra frente

Produtores devem acompanhar os alertas do INPE, Cemaden e Inmet, suspender queimadas não autorizadas, reforçar aceiros e manter máquinas e estruturas distantes de material seco. Também é necessário revisar fontes de água, rotas de acesso e planos de emergência. A evolução das chuvas entre outubro e novembro será decisiva para definir se o risco diminuirá ou permanecerá elevado.

Fontes

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